A fuga da testemunha
02/02/2008 às 12h02min | Paulo Gustavo | testemunhas
Instrução complicada em processo trabalhista. Irmão litigava contra irmão e as testemunhas ou eram irmãos ou sobrinhos. Resolveu o juiz chamar a família toda para a sala de audiências: irmão-reclamante, irmão-reclamado, irmãos e sobrinhos testemunhas, tentando facilitar um acordo.
O bate-boca tornou-se tão irritante, as acusações e declarações tão disparatadas, que o juiz botou as testemunhas para fora da sala e se dirigiu incisivo para as partes.
– Não admito mentiroso nesta sala. Se já fosse inquirição das testemunhas já teriam cometido falso testemunho.
E depois de pequena pausa:
– Aquele moço então – referindo-se ao que fora apontado pelo reclamado como o mais esclarecido – eu o prendo na hora se ele voltar aqui com esta mentirada.
Uma moça presente, e não notada até então, se levantou e se dirigiu ao lado de fora da sala de audiências, dizendo nervosa ao referido moço:
– Corre que o Juiz vai mandar te prender.
O moço se virou nos calcanhares tão rápido, precipitando-se em desabalada carreira para longe, que não viu uma coluna em madeira que sustentava pequeno alpendre. Deu tão forte com a cabeça que caiu depois de dois rodopios.
Levantou-se meio atordoado, olhou para a sala de audiências e, parecendo lembrar-se do aviso, não perdeu tempo em verificar o machucado.
Deu meia volta e saiu em outra disparada até desaparecer de vista.
