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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

O juiz e a coisa inexibível

03/02/2008 às 17h58min Paulo Gustavocrônicas e poesias

Texto literário de ficção acerca do cotidiano jurídico.

Por Fábio de Oliveira Ribeiro, advogado em Osasco (SP)

O médico é contratado para colocar uma prótese num paciente indicado por um amigo cardiologista. Realiza seu trabalho sem se preocupar com os honorários. Afinal, o amigo havia indicado… Realiza seu trabalho com toda dedicação. A operação é um sucesso. Todavia…

Na hora de receber, descobre que o paciente não está muito interessado em pagar. Logo depois, descobre que o amigo cardiologista está mesmo é cuidando do bolso do amigo que indicou.

Furioso, resolve contratar um advogado. Entrega ao defensor todos os exames pré e pós-operatórios, a papelada referente à operação e o relatório do anestesista.

De posse desses documentos, o causídico estuda o caso e revela ao cliente que existem duas soluções. A primeira seria entrar com uma ação ordinária almejando o arbitramento dos honorários. A segunda, a busca e apreensão da prótese, que afinal de contas não era indispensável à manutenção da vida do paciente impontual. O médico opta pela segunda via e o advogado toma as providências.

Medida cautelar bem instruída, o Juiz opta pela designação de audiência de justificação. Não está inteiramente convencido de que as razões do causídico são relevantes. Porém, antes do dia marcado, adoece gravemente e é substituído por outro magistrado.

No dia marcado, todo mundo comparece perante este verdadeiro Salomão moderno. Do alto de sua toga e relevante saber jurídico, o Juiz nem consulta os autos. Vai logo perguntando às partes se há possibilidade de conciliação. Inviável a solução amigável, consulta apenas a decisão do seu antecessor e ordena incontinenti ao requerido:

– O senhor… É o senhor mesmo, aí. Gostaria que o senhor exibisse a prótese que o doutor lhe colocou.

– Mas, seu Juiz…

– Meu senhor. Não tenho o dia inteiro e preciso formar meu convencimento antes de decidir sobre a liminar.

– Excelência, o meu cliente…

– Francamente, doutor. O senhor já viu os autos? Está tudo documentado. Seu cliente fez a operação e não pagou. A questão é apenas saber se a prótese é ou não indispensável à sua integridade física. Virando-se para o requerido. Vamos, exiba, por favor.

– Já que o senhor insiste… E levanta-se e começa a abrir o zíper da calça.

– O que é isto. Que afronta… O senhor está querendo ir preso por atentado ao pudor?

– Não excelência, só pretendo exibir a coisa onde está a prótese que o doutor usou para me curar de impotência sexual.

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