A testemunha sincera
04/02/2008 às 12h07min | Paulo Gustavo | testemunhas
Aconteceu em Caratinga (MG), durante a instrução de uma reclamação trabalhista, uma situação que vez por outra se reproduz nas salas de audiências, graças a uma peculiaridade do linguajar jurídico.
Já haviam sido ouvidas duas testemunhas do reclamante. Eram dois homens humildes que, para agradar o amigo, seguiram à risca as prévias instruções do advogado. Seus depoimentos foram idênticos, perfeitamente unânimes em datas, jornadas de trabalho, horários para descanso e refeição e tudo o mais. Encerrados seus testemunhos, aguardavam a assinatura da ata, ao fundo da sala de audiências.
Por fim, a juíza, já irritada de ouvir tanta mentira, ao tomar o compromisso da terceira testemunha, uma mulher, disse-lhe já aos brados:
– A senhora fique sabendo que só pode me dizer a verdade, ouviu bem?
– Sim, senhora.
– Eu não vou tolerar mentira aqui, viu?
– S… s… sim senhora – murmurou, já desconfortada pelo indefectível temor reverencial.
– Se mentir pra juíza, já sai direto daqui pro xadrez!
– Han… raam…
– A senhora foi arrolada pelo reclamante, aquele senhor ali, e …
– Dá licença. Por ele, nunca não, senhora. Por aqueles dois ali, já sim, várias vezes…
(Colaboração de Gilberto Alves)
