Ir direto ao conteúdo

Página Legal

O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Ignorantia juris

27/02/2008 às 8h54min Paulo Gustavojuridiquês

Se quiser derramar seu latim, é bom pelo menos conhecer o significado do que está escrevendo!

Erros de pronúncia

Há quem pronuncie expressões latinas como se falasse inglês:

  • Sine die (sem data definida) se transforma em “saine dai”;
  • Ad hoc (para determinada finalidade) vira “Ed Rock”.

Erros de semântica

Outros resolvem aportuguesar as expressões, pensando que o significado é diferente:

  • Vexata quaestio (questão controvertida) já foi traduzida como “questão vexatória”;
  • Pari passu (simultaneamente) já foi abrasileirado como “par e passo”.

Em tempo:

  • O título do presente artigo quer dizer “desconhecimento do direito” e não “jurista ignorante”. O trocadilho foi proposital. ;)
  • Não quer errar mais? Adquira já um dicionário de latim jurídico.

Este artigo já recebeu 4 Comentários

  1. Sou advogada, professora de Língua Portuguesa e professora de Latim, pós-graduada nas áreas e posso afirmar que o Latim não é língua morta como muitos ainda insistem em dizer, visto que muito do que falamos possui em essência os radicais latinos. Nossa lei, nossa própria cultura jurídica são provenientes do uso latino. Entretanto, a justiça e o próprio direito devem ser transparentes e inequívocos a todos! Muitos profissionais há que usam e abusam de expressões em latim, sem sequer saber o que dizem, por mera repetição. Julgo ser um impropério utilizar tal idioma de maneira aleatória e pedante, sem necessidade. Se alguns são puristas no uso do latim, deveriam se preocupar ainda com a correta pronúncia das palavras! O que ouço de alguns que se lançam como latinistas é um verdadeiro horror!
    Creio, portanto, que como o Direito é por si tradicional, não há necessidade de se extinguir o uso do latim ou que se critique sobre sua utilidade, mas tudo com moderação!
    Devemos nos preocupar é com outra questão: o uso inadequado do Português por diversos colegas. Melhor dizendo, uso grotesco do idioma! é um verdadeiro homicídio doloso!!
    Com diziam os romanos, “Ex toto corde”,
    Flávia Rodrigues
    Rio de Janeiro/RJ

  2. Fernanda, Flávia, faço minhas suas palavras. Espero que continue participando do blog, enviando seus comentários e (quem sabe) também colaborações. Obrigado!

  3. O dialeto latino, jamais extinto como asseveram alguns inscientes da boa língua portuguesa (tendo em vista consistir na língua “mater” dos idiomas ocidentais), é e sempre será indissociável da cultura jurídica hodierna, mormente porque nosso Direito Positivo alicerça-se sob o espeque da tradição romano-germânica, também dita “civil or continental law”, erigida sob os postulados científico-dogmáticos do “corpus iuris civilis” justinianeu e sob todo o desenvolvimento jurídico construído pelos antigos jurisconsultos romanos. Até porque há certas expressões e parêmias latinas que quando traduzidas não refletem a verdadeira semântica que lhes concerne, sendo inclusive mais consentâneo utilizá-las literalmente, eis que -por vezes – a tradução “dura” delas torna-se muito imprópria (ex: “quorvm”, “quid ivris”,..).
    Assim sendo, estará sempre compaginado a nossa tradição jurídica os cânones latinos (dentre eles multifários brocardos, adágios, etc.) de Direito Civil formulados e experimentados pela Roma Antiga (e pelo Império Bizantino), que serviram de base às glosas e comentários lucubrados no Direito Medievo e Protomedievo, sobre os quais ulteriormente debruçaram-se os alemães (F.C. Savigny, B. Windscheid, G.F.Puchta) na chamada Era Pandectística, dos quais herdamos imensurável sabença jurídica, hoje positivamente incorporada no Direito Objetivo vigente.

  4. Aulas de Latim Jurídico sob o olhar do Direito para profissionais e acadêmicos, propociona mais visibilidade ao Latim como língua viva e que nunca morreu e não morrerá nunca.
    O Latim, assim, como o uso dos brocardos Jurídicos é univarsal.

Escreva seu comentário

(não será publicado)

(opcional)