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Página Legal

O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos de fevereiro de 2008

Voto de cabresto

11/02/2008 às 20h11min Paulo Gustavopolíticos

Em audiência pública realizada no Senado em 01/06/2000, o então senador Roberto Requião (PMDB-PR), queixando-se da insistência do Tribunal Superior Eleitoral em manter secretos e inauditáveis os programas utilizados nas urnas eletrônicas, ilustrou sua argumentação com o seguinte causo:

Há muito tempo, conta-se que um coronel do interior do Ceará entregou a um eleitor uma cédula eleitoral já preenchido com o voto e devidamente dobrada, a fim de que o depositasse na urna.

O eleitor levantou o olho e perguntou:

– Mas, coronel, não posso nem ver o meu voto?

O Coronel, matreiramente, respondeu:

– Meu filho, você nunca leu a Constituição? O voto é secreto!

A absolvição do vadio

11/02/2008 às 19h04min Paulo Gustavojuízes

Num inquérito pela contravenção de vadiagem, que tramitou na 5ª Vara Criminal de Porto Alegre (RS), o juiz Moacir Danilo Rodrigues proferiu a sentença a seguir, arquivando o inquérito criminal “ex officio”:

“Marco Antônio Dornelles de Araújo, com 29 anos, brasileiro, solteiro, operário, foi indiciado pelo inquérito policial pela contravenção de vadiagem, prevista no artigo 59 da Lei das Contravenções Penais.

Requer o Ministério Público a expedição de Portaria contravencional.

O que é vadiagem? A resposta é dada pelo artigo supramencionado:

“entregar-se habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho…”

Trata-se de uma norma legal draconiana, injusta e parcial.

Destina-se apenas ao pobre, ao miserável, ao farrapo humano, curtido vencido pela vida. O pau-de-arara do Nordeste, o bóia-fria do Sul. O filho do pobre que pobre é, sujeito está à penalização. O filho do rico, que rico é, não precisa trabalhar, porque tem renda paterna para lhe assegurar os meios de subsistência.

Depois se diz que a lei é igual para todos!

Máxima sonora na boca de um orador, frase mística para apaixonados e sonhadores acadêmicos de Direito.

Realidade dura e crua para quem enfrenta, diariamente, filas e mais filas na busca de um emprego. Constatação cruel para quem, diplomado, incursiona pelos caminhos da justiça e sente que os pratos da balança não têm o mesmo peso.

Marco Antônio mora na Ilha das Flores (?) no estuário do Guaíba.

Carrega sacos. Trabalha “em nome” de um irmão. Seu mal foi estar em um bar na Voluntários da Pátria, às 22 horas. Mas se haveria de querer que estivesse numa uisqueria ou choperia do centro, ou num restaurante de Petrópolis, ou ainda numa boate de Ipanema?

Na escala de valores utilizada para valorar as pessoas, quem toma um trago de cana, num bolicho da Volunta, às 22 horas e não tem documento, nem um cartão de crédito, é vadio. Quem se encharca de uísque escocês numa boate da Zona Sul e ao sair, na madrugada, dirige (?) um belo carro, com a carteira recheada de “cheques especiais”, é um burguês.

Este, se é pego ao cometer uma infração de trânsito, constatada a embriaguez, paga a fiança e se livra solto. Aquele, se não tem emprego é preso por vadiagem. Não tem fiança (e mesmo que houvesse, não teria dinheiro para pagá-la) e fica preso.

De outro lado, na luta para encontrar um lugar ao sol, ficará sempre de fora o mais fraco. É sabido que existe desemprego flagrante. O zé-ninguém (já está dito), não tem amigos influentes. Não há apresentação, não há padrinho. Não tem referências, não tem nome, nem tradição.

É sempre preterido. É o Nico Bondade, já imortalizado no humorismo (mais tragédia que humor) do Chico Anísio.

As mãos que produzem força, que carregam sacos, que produzem argamassa, que se agarram na picareta, nos andaimes, que trazem calos, unhas arrancadas, não podem se dar bem com a caneta (veja-se a assinatura do indiciado à fls. 5v.) nem com a vida.

E hoje, para qualquer emprego, exige-se no mínimo o primeiro grau. Aliás, grau acena para graúdo. E deles é o reino da terra.

Marco Antônio, apesar da imponência do nome, é miúdo. E sempre será.

Sua esperança? Talvez o Reino do Céu.

A lei é injusta. Claro que é. Mas a Justiça não é cega? Sim, mas o juiz não é.

Por isso:

Determino o arquivamento do processo deste inquérito.

Porto Alegre, 27 de setembro de 1979.

Moacir Danilo Rodrigues
Juiz de Direito – 5ª Vara Criminal.”

(Fonte: Suplemento Jurídico do DER/SP nº 108, de 1982)

Médicos e loucos…

11/02/2008 às 19h02min Paulo Gustavoperitos

Nos Estados Unidos, algumas vezes os peritos precisaram ensinar medicina aos advogados. ;)


– O que significa a presença de esperma?
– Significa relação consumada.
– Esperma masculino?
– É o único que eu conheço.

– Doutor, quantas autópsias você já fez em pessoas mortas?
– Todas as autópsias que eu já fiz foram em pessoas mortas.

– O senhor se lembra aproximadamente a hora em que examinou o corpo do Senhor Brown?
– Foi à noite. A autópsia começou em torno das 20h30min.
– E o Senhor Brown estava morto àquele momento, certo?
– Não, ele estava sentado na mesa tentando imaginar por que eu estava fazendo uma autópsia nele!

– Senhor legista, antes de você fazer a autópsia, você verificou o pulso do paciente?
– Não.
– Você checou a pressão sangüínea?
– Não.
– Você conferiu a respiração?
– Não.
– Então, seria possível que o paciente estivesse vivo no momento em que você começou a autópsia?
– Não.
– Como você pode ter tanta certeza?
– Porque o cérebro dele estava em cima da minha mesa, em um vaso.
– Mas o paciente poderia estar vivo, ainda assim?
– É possível que ele ainda estivesse vivo e advogando em alguma corte.

(Fontes: Mr. Learned’s Legal Humor Page, Luís de Castro e Ruy Campos Vieira)

Sentença bíblica

10/02/2008 às 23h57min Paulo Gustavojuízes

O juiz Joaquim Santana, da 7ª Vara Criminal de Teresina (PI), condenou uma mulher por difamação.

A pena: ler o Salmo 39 da Bíblia três vezes por semana, na igreja de seu bairro.

O juiz assim fez cheio das boas intenções, como alternativa ao mínimo de 3 meses de prisão previstos no Código Penal.

Só que ele não sabia que a ré era analfabeta.

Resultado: a filha da condenada teve que ler para ela todo o Salmo, até que a mãe decorasse.

Criminosos estúpidos 2

10/02/2008 às 22h16min Paulo Gustavocriminosos

Nos Estados Unidos, uma série de livros iniciada com “America’s Dumbest Criminals”, de Daniel Butler, Alan Ray e Leland Gregory, faz uma enorme coletânea de eventos envolvendo assaltantes incompetentes e crimes frustrados por verdadeira burrice.

  • Um homem, acusado de haver arrombado uma máquina de venda de refrigerantes em lata, jurou inocência e pagou sua fiança de 400 dólares… tudo em moedas.
  • Um distraído chamou a policia para registrar o furto de uma caixa… onde guardava maconha.
  • Em Ohio, um sujeito, depois de assaltar um restaurante, deu um tiro no próprio pé, ao abrir a porta de seu automóvel.
  • Outro sujeito assaltou uma carrocinha de cachorro-quente e resolveu comer um. Acabou tendo que se entregar depois de se engasgar com a salsicha. Acabou hospitalizado.
  • Uma mulher de Maryland falsificou um bilhete de loteria para coincidir com o número premiado em 20 dólares, mas não viu que havia ganho 5.000 dólares com o mesmo bilhete. Acabou presa por falsificação e perdeu o direito ao prêmio.
  • Em Arkansas, um homem parou um carro da polícia para reclamar que havia sido espancado por uma mulher dentro de uma lavanderia. Seu olho roxo e lábio ensangüentado confirmaram a acusação. Só havia um problema: ele não vira o rosto da mulher. Investigando na lavanderia, o policial descobriu que o homem entrou na loja, levantou a camisa e abaixou as calças, exibindo-se para as assustadas senhoras presentes. Uma delas, indignada, espancou-o. Como ele tinha o rosto coberto pela própria camisa, nem viu quem o havia atacado. Resultado: foi preso por exibicionismo…

(Colaboração de Cláudio Rêgo)