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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos de fevereiro de 2008

A morte do advogado

12/02/2008 às 17h01min Paulo Gustavopiadas

No leito de morte, o advogado, após ser desenganado pelos médicos, pediu uma Bíblia e começou a lê-la avidamente.

Todos se surpreenderam com a conversão daquele homem, até que alguém pergunta o que ele estava fazendo.

– Estou procurando brechas na lei.


Um avião estava em pane geral, com as duas turbinas em chamas, quando o piloto pediu a todos para que se mantivessem sentados em suas cadeiras, preparando-se para um pouso de emergência.O piloto pediu a uma aeromoça que verificasse se todos tinham obedecido às suas ordens.

– Todos estão sentados, comandante, a não ser um advogado que continua andando de cadeira em cadeira, distribuindo cartões de visita.


O papa morreu e foi para o céu. Lá chegando, foi imediatamente retirado da fila e recebido pessoalmente por São Pedro.Estava mais do que honrado com acolhida tão prestigiosa, quando apareceu um senhor de terno alinhado, cabelo engomado e pasta de couro, que igualmente foi retirado da fila e, pasmem, foi recebido por Deus.

Sem esconder a irritação, o papa foi interrogar São Pedro:

– Quem é este cara? Eu, que sou o representante de Deus na Terra, fui recebido por você, que é do segundo escalão… Quem é aquele pra merecer ser recebido pelo próprio Criador?

– É um advogado.

– Deve então ser um advogado muitíssimo importante!

– Não, é um advogado mixuruca, sem qualquer expressão.

– Ué, então por que tanto privilégio?

– Papa nós temos aqui aos montes, mas advogado é o primeiro que chega aqui!


Deus, querendo fazer uma expansão no céu, informou ao Diabo que iria desapropriar uma parte do inferno.Diante da resistência do capeta, o Senhor advertiu que seria obrigado a tomar as medidas judiciais que o caso exigia. Citou os nomes dos melhores advogados que o mundo já conheceu, todos habitantes do céu.

Para surpresa de Deus, ao invés de ficar intimidado, o diabo caiu na gargalhada:

– De que adiantam todos esses grandes advogados a seu serviço aí no céu? Os juízes, que decidem as causas, estão todos aqui no inferno.


Um casal jovem e apaixonado morreu num acidente na véspera do casamento.Chegando ao céu, pediram a Deus autorização para que casassem lá mesmo.

O Senhor respondeu:

– Esperem 5 anos. Se vocês ainda quiserem se casar, nós daremos um jeito.

Cinco anos se passaram, e o casal continuava com a firme intenção de casar. Eles foram outra vez à presença do Senhor e reiteraram o pedido. O Senhor mais uma vez respondeu:

– Infelizmente, vocês vão ter que esperar mais cinco anos.

Passados mais cinco anos, finalmente veio a resposta tão esperada:

– Ok, vocês podem casar. Nós faremos uma bela cerimônia neste sábado na capela celeste.

Todavia, poucos meses depois, o casal já queria se separar.

Eles vão à presença do Senhor, que ouve o pedido. Então ele diz:

– Olha, me levou dez anos para aparecer um padre aqui no céu. Vocês têm idéia de quanto tempo vou levar para arrumar um advogado?

Cachorrada suprema

12/02/2008 às 15h34min Paulo Gustavojuízes

Em agosto de 2000, o ministro Celso de Mello, do STF, proferiu importantíssima decisão que deixou desapontado um sharpei que mordeu um cocker spaniel.

O recurso foi impetrado pela médica Carmen Heberle, de Porto Alegre (RS), num processo pela prática do fato tipificado no art. 31 da Lei de Contravenções Penais:

“Art. 31. Deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não guardar com a devida cautela animal perigoso:

Pena – prisão simples, de dez dias a dois meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de réis.”

Por ter deixado o cachorro solto no interior de condomínio residencial, a médica foi condenada, num juizado especial, ao pagamento de multa de dois salários mínimos, equivalente a 15 dias-multa.

Alegando cerceamento de defesa, interpôs recurso extraordinário, que teve seguimento negado, e depois agravo de instrumento para destrancá-lo (AI nº 279.236-5).

No despacho, de cinco páginas, o ministro relator considerou o recurso “inviável”, já que não caracterizaria cerceamento de defesa o indeferimento de produção de prova, pois existiam elementos suficientes para configurar a autoria e a materialidade do delito.

(Fonte: STF Notícias)

Acidentes de trânsito

12/02/2008 às 15h01min Paulo Gustavopiadas

Dois peões caminhavam pelo acostamento de uma estrada poeirenta, depois de uma cansativa jornada numa fazenda em que haviam trabalhado duro o dia inteiro, quando um juiz, que vinha a toda velocidade na sua pick-up importada, atropelou os dois com toda a violência.

Um deles atravessou o pára-brisa e caiu dentro do carro; o outro foi arremessado a uma distância de quinze metros.

Três meses depois, ambos saíram do hospital, ainda convalescendo de graves seqüelas.

Para surpresa geral, foram direto para a cadeia.

Um por invasão de domicílio e o outro por se evadir do local do acidente.


Em uma noite chuvosa, dois carros se chocaram em uma estrada. Um pertencia a um advogado, outro a um médico.Ao sair de seu automóvel, o médico, preocupado, se dirigiu ao carro do advogado. Perguntou se ele estava ferido, examinou-o brevemente e constatou que não houvera nenhum ferimento grave.

Depois de alguns minutos, os dois começaram a verificar o estado dos carros e como havia se dado a batida. Chegaram à conclusão de que não havia como escapar do acidente na situação em que tinha acontecido: a estrada estava molhada, escura e mal sinalizada.

Como, todavia, o advogado já tinha ligado para a polícia rodoviária, resolveram ficar esperando enquanto a viatura não chegava, para avisar aos policiais que cada um iria assumir seus prejuízos.

Conversa vai, conversa vem, os dois motoristas vão ficando íntimos.

O advogado, então, abriu o seu porta-luvas e retirou uma garrafa de uísque, dois copos e um balde de gelo.

O médico aceitou, bebeu três goles longos e perguntou:

– E você, amigo, não vai beber?

O advogado respondeu:

– Só depois que a polícia chegar.

O nome da rosa

12/02/2008 às 9h50min Paulo Gustavoministério público

Uma cidade pequena tinha apenas um travesti, alcunhado Marcinha, assim conhecido por todos.

Certo dia, Marcinha se meteu numa briga de bar e acabou tendo que ir se explicar no fórum.

O promotor, que era novo na cidade, chegou na sala quando ele, devidamente travestido, respondia o nome:

– José Fulano da Silva.

De dedo em riste, o promotor interveio:

– Mas como? Teu nome é Márcia!

Marcinha, meio sem jeito, mostrou sua carteira de identidade e explicou que seu nome era aquele mesmo.

Só então, o promotor se tocou e ficou repetindo consigo mesmo:

– Ah bom! Então você é travesti! Eu não sabia! Tá certo!

Ao olhar para o lado, percebeu que o juiz e o escrivão estavam se entreolhando, curiosos e se esforçando para conter o riso.

Acordo bom até para o juiz

11/02/2008 às 23h53min Paulo Gustavojuízes

Durante uma audiência, em Fortaleza (CE), um juiz do cível estimulou um acordo o quanto pôde (de forma apropriada, diga-se). Enfim, fez-se o acordo, com a obrigação de certo pagamento. A quantia a ser paga era de pequena monta (mais ou menos quinhentos reais, em valores de hoje).

Quando a parte entregou-a em espécie, o magistrado não teve dúvida. Dizendo não ter podido sacar seus vencimentos em virtude de uma greve dos bancários que já durava vários dias, pegou o dinheiro e entregou um cheque pessoal no mesmo valor para a outra parte, dizendo-o bom, com fundos, de pessoa idônea (ele, claro), e pronto para saque tão logo reabrissem os bancos.

De tão surpresos, ninguém sequer protestou, pois todos (o beneficiário e seu advogado, com alguns dias de atraso, é certo) não exatamente deixaram de ganhar.