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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Abaixo o juridiquês

08/03/2008 às 8h51min Paulo Gustavocrônicas e poesias

Por Alberto Rollo e Janine Rollo, advogados em São Paulo.

Temos lido ultimamente em vários jornais da grande imprensa e em algumas publicações destinadas aos operadores do direito que não é aceitável manter-se o linguajar pomposo e rebuscado, posto que vetusto, dessas pessoas quando formulam seus pedidos, fazem suas acusações e julgam seus processos.

Há que se ter, dizem os defensores do novo estilo, um canal de comunicação mais direto com a população que permita o entendimento desse linguajar por parte da cidadania a quem ele é dirigido.

Reconheça-se que aqui e ali há algum exagero. Certo também é que há palavras, embora vernaculares que extrapolam o limite do conhecimento do homem médio. Ainda recentemente após um trabalho feito perante uma corte de julgadores tivemos que explicar a um companheiro mais novo o significado da palavra “algibeira” que nos fora assacada como acusação, por termos argüido vigoroso problema de ordem jurídica preliminar. Como explicar o significado dessa palavra para quem nunca conheceu um colete, aquela peça da indumentária colocada por baixo do paletó?

Mas, resolvemos aderir. Recebemos, em nosso escritório a visita de uma dupla de cultores do funk que nos apresentavam um problema de ordem familiar. O casal havia rompido de fato seus laços conjugais a partir do instante em que o varão descobrira estar sendo traído pela virago. Ela havia rompido a affectio maritalis. Não havia prole a ser protegida quer com o estabelecimento, ainda que comum, do poder familiar, quer pela fixação dos alimentos indispensáveis à sobrevivência desses filhos inexistentes.

A varoa dispensava a proteção do marido para seu sustento. Dizia-se independente. E como tal, retirou-se do colóquio amigável que vinha sendo mantido instando seu companheiro a tomar as providências pertinentes. Contratados, solicitamos ao marido que retornasse quarenta e oito horas depois para assinar conosco a peça vestibular que iríamos destinar ao magistrado.

Passados os dois dias, retornou o varão a quem foi dado o exame da inicial e solicitado apusesse sua firma na folha derradeira do pedido endereçado ao juiz.

Furioso, o ilustre cliente repreendeu-nos pelo linguajar gongórico e instou-nos a fazer um trabalho mais acessível ao seu nível de compreensão.

Já para tal trabalho, dobramos o preço avençado anteriormente, o que foi aceito sem rebuços; pedimos uma semana para fazermos a adaptação do mesmo ao estilo de vida do cliente.

Após o decurso dessa semana, em que nos fizemos assessorar por diferentes ramos da juventude hodierna, recebemos o cliente e a ele submetemos o novo trabalho, que foi aceito sem qualquer questiúncula. Eis como ficou a inicial:

Ô da toga

Mano 13, fanqueiro, tô pedindo um barato louco porque tô separando da distinta.

Sô sangue bom.

Sô sinistro, mas a chapa tá quente.

A traíra se meteu com uns talarico. Tô na fita, num dá mais.

A coisa tá irada, tá bombando e eu quero que teja tudo dominado.

E aí, lixo? Se tocou?

Fecha cum nóis.

São Paulo, oje.

Assinado:

Adevogados.

Ainda não tivemos coragem de submeter essa petição ao Poder Jurisdicional. Ficamos na torcida pela reconciliação. Estamos em dúvida sobre qual será a reação do ínclito magistrado . Quem sabe tenha ele se adaptado aos novos tempos… Mas, pode ser que ele se limite a despachar:

Com tal petição vê-se que a parte está indefesa no processo.

Remeta-se à Comissão de Ética da OAB para que tome as providências que o caso requer.

É como daquele ditado: “Cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso.”

Este artigo já recebeu 64 Comentários

  1. Caríssimos Alberto e Janine Rollo.
    De maneira sintética, quero dizer-lhes que, como operador do Direito, habituado a um linguajar técnico, não concordo com esse estilo “funk”.
    Vejo-o como inapropriado e inadequado para a práxis forense. Portanto, prefiro a linguagem talar, escorreita, eis que, para cada profissão, há uma liturgia. E a nossa não é diferente.
    Meu abraço.
    José Luiz Melo

  2. É verdade.

    Contudo, não podemos esquecer de que o idioma rebuscado sempre foi utilizado no Brasil como instumento e exclusão e preconceito com aqueles que não têm acesso à educação. Por outro lado, o peticionário não é lugar para demonstrar erudição. Os Tribunais estão abarrotados de serviço e os juízes não têm tempo sequer de ler petições simples, imaginem longas e cansativas laudas, em que, infelizmente, alguns, talvez com a cabeça ainda num passado bem distante, expõem verdadeiras “poesias” em seu respectivo peticionário. Isso, sim, deve ser evitado. Não há de se confundir “estações”. Uma coisa é a linguagem técnica processual (que de rebuscada não tem nada; ao contrário, é simples e direta), que, de fato, é necessária; outra, bem diferente, é se utilizar hoje em dia de termos usados por Ruy Barbosa…

    Maferjus
    Advogado Militante

  3. Contudo, não podemos esquecer de que o idioma rebuscado sempre foi utilizado no Brasil como instrumento de exclusão e preconceito com aqueles que não têm acesso à educação. Por outro lado, o peticionário não é lugar para demonstrar erudição. Os Tribunais estão abarrotados de serviço e os juízes não têm tempo sequer de ler petições simples, imaginem longas e cansativas laudas, em que, infelizmente, alguns, talvez com a cabeça ainda num passado bem distante, expõem verdadeiras “poesias” em seu respectivo peticionário. Isso, sim, deve ser evitado. Não há de se confundir “estações”. Uma coisa é a linguagem técnica processual (que de rebuscada não tem nada; ao contrário, é simples e direta), que, de fato, é necessária; outra, bem diferente, é se utilizar hoje em dia de termos usados por Ruy Barbosa…

  4. entendi perfeitamente o sentido do texto, e concordo com a frase final “Cada terra com seu uso e cada roca com seu fuso.”afinal seria inadmissivel o advogado se despir de seu conteudo intelectual somente visando alcançar os menos informados, ate por uma quetao da ” dignidade” inerente a nossa profissao devemos nos manter em distancia aceitavem como qualquer outra classe profissional que tem seus proprios termos e aqui posso citar varias(jornalistas, medicos, economistas,surfistas, funkeiros, skatistas)porque justo a mais nobre de todas as profissoes “a advocacia” tem que abrir mao de seu exigido e conveniente rigor, costumo falar como advogada e caso seja necessario explico ao cliente nao posso é deixar de me comportar como advogadan e me tornar uma figura fisiologica que age de acordo com o cliente que representa.
    Agora quanto aos senhores juizes se estes se empenhassem um decimo a mais do que atualmente teriam tempo para ler toda as petiçoes, e ate de aprender os termos usados pelos advogados, afinal a formação foi absolutamente a mesma “bacharel em direito”

  5. ISSO É TÃO CHULO, QUE NÃO MERECE COMENTÁRIOS.

  6. Prezados, gostaria de chamar a atenção para a ironia que permeia o título e para a revelação escondida na última frase. Os autores estão defendendo justamente que o linguajar jurídico deve ser usado nas ocasiões apropriadas, sendo insubstituível para tanto.

  7. Inteligente e criativo. Concordo plenamente que a profissão e as peças processuais devem manter a formalidade exigida no mundo Juridico. Afinal, se assim não o fosse, qualquer cidadão poderia pleitar em Juizo. Sendo desnecessaria a figura do advogado.

  8. Cada ramo do conhecimento tem o seu jargão próprio. É assim com a Química, com a Biologia, com a Medicina… Não seria diferente com o Direito. O texto muito bem retrata a questão. Parabéns aos autores.

  9. Caros.
    Concordo que deve ser feito mudanças no linguajar jurídico. Os termos técnicos, como na medicina, química e etc, devem continuar para mostrar o que realmente se quer dizer. Exagerar, jamais! Isso, já foi-se com tempo… Rui Barbosa, Machado de Assis e outros. Devemos ter um modo de se comunicar mais suave para que todos dentro de um tribunal ou em qualquer outro evento do judiciário, todos, repito, todos entendam o que estão falando! Uma comunicação simples, suave, dando ênfase no que se deve dar ênfase. No início, temos um exemplo de explicação de o que é “algibeira”, termo que não se usa mais, pois os relógios de algibeira, quase não são vistos. Tenho um texto em que um magistrado pergunta a um jovem advogado se o documento está “tríduo” e ela reponde que “está bem alimentado”. Hora, são exemplos de termos jurídicos que deveríamos pensar duas vezes em falar pois poderíamos até por em risco a absolvição ou a condenação de um réu, onde os nobres representantes da defesa e da acusação, se começassem a falar um juridiquês em que poucos entenderiam. Temos que observar que neste caso, o júri é popular e o linguajar, deve ser então, popular, para que todos entendam, inclusive o réu, observando os termos técnicos, mas sem exageros.
    A sociedade é dinâmica e o meio jurídico deve ser igualmente dinâmico. Mas, tal dinamismo como no exemplo do funkeiro, ai é de mais. Já acho uma falta de respeito. E os nobres colegas ainda levaram “isso” à Comissão de Ética? Quero crer que isso tudo é uma piada, uma história inventada. Ainda sou estudante de Direito e tenho visto muita coisa… “esquisita” dentro do judiciário. Mas, jamais acreditarei na veracidade de tal fato.

  10. A linguagem forense tem que prevalecer.O juridiquês é censurável. Agora, a linguagem pobre, sem conteúdo, esta sim, deve ser banida de qualquer texto incapaz de expressar um bom português. A petição, evidentemente, no meio forense, tem que ser clara e objetiva, mas para isso não é necessário usar um texto chulo e sem conteúdo.Espero que o texto apresentado anteriormente, tenha sido uma brincadeira para levar os leitores à uma reflexão.
    Um grande abraço…

  11. Desculpem-me a sinceridade, mas, como graduado em letras, acadêmico de direito e músico, só tenho a considerar que o rap ficou muito ruim!
    E que mania chata que advogado tem de ficar levantando teses até quando o texto é uma ficção humorística!!!
    Relaxem, pô!

  12. É mano, fecho! A treta é se o da toga num copia o procede, ou acha q o mano tá tirando em chamá ele de lixo. Tá ligado?!

  13. Caríssimos Alberto e Janine Rollo!
    Vc são otimos funkeiros ahuiahauihaa mas acho que o da toga não vai gostar muito!

  14. Prezados,

    muito interessante a crítica apresentada por vocês. Compartilho da mesma opinião.

    Sou estudante de direito e estou no 5º semestre da faculdade. Uma das coisas que me surpreende é ver a dificuldade que meus colegas têm para escrever, principalmente questões que exigem um pouco mais de técnica.

    Fico pensando.. se com 20 anos mal conseguem interpretar simples textos, será que daqui a 3 anos, quando se tornarem bacharéis, conseguirão exercer a sua profissão sem envergonhar os demais colegas do ofício?

    Ademais, não acredito que seja necessário empregar vernáculos rebuscados no vocabulário jurídico, contudo, às vezes, faz-se imperioso a utilização de linguagem precisa, técnica, que expresse exatamente o sentido que deseja o interlocutor.

    Juliana

  15. Lendo os comentários acima, analisei profundamente sobre as múltiplas opiniões apologéticas. No entanto como visto acima, em que alguns defendem o juridiquês com intuito de manter a profissão advocatícia,sendo que de modo algum vai deixar de existir a mesma,visto que facilitando a linguajar pode-se se ter um sucesso de aproximação da população em que varias pessoas irão procurar ao judiciário.

  16. Caro Marcos Fernandes, “apologéticas, também vc. Não há quem defnda o juridiquês seriamente. Como disse o poeta: “Navegar é preciso viver não é preciso”. A linguagem do direito é técnica. Os termos empregados têm significado preciso.Desta forma, com precisão, deve o vernáculo ser utiizado nos trabalhos jurídicos. Já na comunicação com o leigo não há necessidade de se impor duvidosa erudição. Agora, colegas,não há nada de chulo no exemplo, pelo amor de Deus, humor não fal mal a ninquém. Toda piada boa é demau gosto mesmo, mas feita ~somente com a intenção de divertir. Abraços.

  17. Sem radicalismos e sem extremismos.

    Tanto o “abusar” da verborragia e da prolixidade como o da chulidade e gírias causam o desentendimento e obscuridade da linguagem.

    Confesso que não entenderia o segundo texto sem a explanação do primeiro. E nem alguns termos do primeiro texto sem consultar um dicionário.

    O texto é irônico. Mostra os dois lados da moeda. Tanto a formalidade pragmática exacerbada de um lado como a trivialidade gatuna excessivamente peculiar de outro são complicadoras de bom entendimento.

  18. A linguagem forense tem que possuir seu destaque, entretanto sem exagero, não quer dizer que os operadores do Direito vão utilizar linguagem pobre, sem conteúdo, esta sim, deve ser banida de qualquer texto incapaz de expressar um bom português. Todavia os procedimento jurídicos, evidentemente, no meio forense, tem que ser clara e objetiva, mas para isso não é necessário usar um texto popular e sem conteúdo e sim utilizar de linguagem precisa, técnica, que expresse exatamente o sentido que deseja o interlocutor (SEM UTILIZAÇÃO DE TERMOS ARCAICOS!!!!).

  19. Não se trata de juridiques, o advogado deve se pronunciar com o exato significado das palavras, e para isso utilizar a metalinguagem para que quem não presenciou os fatos possa ter a imagem mais real possível dos mesmos, e isso somente ocorre com a utilização do exato significado das palavras, ou seja falar claro. Para se falar com clareza e certeza do que se está falando usa-se a metalinguagem que muitos chamam de juridiques, e como se vê a própria palavra juridiquês é imprópria para o caso e mostra o lapso que vem ocorrendo com os partidários do fim da linguagem. O que se nota é que a educação decaiu em muito nos últimos tempos, entretanto, não é por esse motivo que os operadores do direito devem decair em sua linguagem, está ocorrendo uma inversão de valores o canal direto com a população é a escola quem deve proporcionar ensinando a população adequadamente. Cultura ao povo.

  20. Caríssimos,

    Ler é fundamental. Apreciem a literatura em suas variadas manifestações, somente isso pode enriquecer o vocabulário.

    O texto, como bem se vê, polariza dois desvios dos usos linguísticos, tanto da forma culta, como da coloquial, uma vez que utilizam termos igualmente incorretos. O termo “varoa”, por exemplo, não consta nos dicionários, ao menos nos contemporâneos. Portanto, é um igual atentado que se processa nos dos casos de desvio.
    Ao verificar as mudanças processadas na comunicação, é possível notar que a subjetiviade deu lugar a textos mais objetivos. A análise de efeitos dessa mudança é pauta para outro debate, no entanto, é imperativo dizer que o “juridiquês” conforme nomeado acima, não foge ao objetivo da linguagem, portanto, não deve dificultar o pleito de se fazer entender.

    O texto é oportuno, mas é preciso saber interpretar para que não se tomem partidos aos quais o próprio texto não defende.

  21. Parabéns aos autores do texto “Abaixo o juridiquês”. Nunca ri tanto!

    Agora, sério, acredito no bom senso e no ponto de equilíbrio para todas as causas.
    Entendo que algo escrito só é belo e útil quando usado como instrumento para aproximar as pessoas.
    Quero crer, que nenhum de nós, seja qual for o nosso estágio intelectual, precisamos ostentar o saber. E com a utilização de palavras consideradas não corriqueiras, como é o caso do “juridiquês”, a única mensagem que passamos é essa: socorro! Estou perdida com o tamanho da minha insegurança.

    Atenciosamente
    Elaine

  22. Com a utilizacao desse titulo, Abaixo ao Juridiques, parece que o autor vai fazer uma critica a utilizacao do Juridiques. Porem diferentemente do que se pensa, o autor utiliza esse tipo de linguagem em todo o texto, que pode ser encontrado por exemplo no seguinte trecho:”[...]A varoa dispensava a proteçao do marido para seu sustento[...]“. Por fim, o autor critica a linguagem popular de um funkeiro,com um tom de ironia.

  23. Não posso parabenizar os autores, já que entendi que os mesmos defendem o uso do Juridiquês como se o entendimento destes, fosse sinônimo de cultura. É possível escrever usando termos técnicos e se fazer entender sem grandes dificuldades já que temos na língua portuguesa uma vocabulário extenso e ao alcance de todos as classes e níveis sociais.

  24. Haja vista que o título do texto leva a crer que o mesmo se configuraria em uma crítica ao uso do juridiquês, a escolha deste título não foi coerente, pois “Abaixo o Juridiquês” apresenta vários excessos de linguagem e termos desnecessários ao contexto em questão, como “virago”, “varão”, “affectio maritalis”, entre outros. Além disso, o texto demonstra uma visão preconceituosa acerca da linguagem utilizada pelo cliente.

  25. aê MANO, koé dessa paradaaa
    tao fazendu nois de otario éh?
    koé truta… os cara sao sangue bom n.. poooo q iss

  26. O texto é extremamente irônico, pois utiliza uma linguagem bastante rebuscada, ao invés de combater o juridiquês.
    Além disso, os autores demonstram enorme preconceito com funkeiros ao fazerm uma petição incial em forma de funk, que mostra despreso e preconceito com a cultura popular e com as partes do processo.

  27. O texto se contradiz no uso do título, pois ao invés de defender a queda do juridiquês os autores defendem a permanência do mesmo de forma irônica. Além do sarcasmo utilizado, os autores apresentam extremo preconceito com a simplificação da linguagem jurídica e com outras línguas não pertencentes ao Direito.
    Tal postura demonstra, ao meu ver, que ainda há entranhado nos meios jurídicos um certo atraso no uso adequado da linguagem jurídica nos textos da área, além da inflexibilidade de muitos colegas da área quanto a adesão de uma linguagem jurídica voltada para o cidadão comum sem a perda de sua cientificidade.

  28. Ao ler o texto é possível perceber uma incoerência, pois o título propõe um objetivo, mas ao longo do texto o autor faz exatamente o contrário(utiliza o juridiquês). Ainda é possível perceber que um preconceito perpassa o texto atravessa atitude do advogado, o qual pressupõe que os clientes só entenderão o conteúdo da petição se essa for feita na “linguagem deles”. Aliás , se adaptar aos novos tempos não significa necessariamente utilizar a linguagem vulgar ou gramaticalmente incorreta.

  29. O texto, apesar de sugerir como título a expressão “Abaixo o Juridiquês”, cita ao longo do seu desenvolvimento termos inadequados e rebuscados da língua portuguesa, a ilustrar “varoa” e “peça vestibular”. Vale ressaltar ainda, a presença de um certo preconceito em relação as varições linguísticas, por parte do autor.

  30. Apesar de possuir um título indo de encontro ao juriquês, tal ideia não perpassa o texto; pelo contrário, o texto possui um liguajar repleto de juridiquês. Vale frisar que há um certo preconceito contra as linguagens mais polulares, esse aspecto fica evidente no penúltimo paragráfo e no possível despache do juiz.
    Infelizmente, é lamentável a ideia exposta pelos autores, visto que é mister a simplificação do discurso jurídico para a maior acessibilidade da população ao judiciário; além do mais o juriquês é arcaico e gongórico e, por vezes, transforma-se numa enorme litania.

  31. O leitor, ao de deparar com o título do texto, acredita estar prestes a ler críticas em relação ao uso do juridiquês. Nesse sentido o autor se contradiz. Apesar de sim, criticar o uso de juridiquês, ele mesmo utiliza termos rebuscados no desenvolvimento do texto.
    Outro aspecto negativo do texto é o fato do autor demostrar preconceito com a linguagem utilizada pelos clientes, ou seja, os funkeiros.

  32. Logo no título o texto se contra diz, ele se propõe a críticar o juridiquês, mas acaba utilizando em seu texto.Além disso o advogado apresenta um certo grau de preconceito ao fazer uma petição em forma de funk para o entendimento de seu cliente, tal postura não era necessária.

  33. O texto apesar do título não tem uma linguagem simplificada, o autor continua usando o juridiquês e com isso o leitor de nível médio continua sem compreender o que esta escrito.
    O preconceito do advogado fica bem claro ao fazer um péssimo hap para tentar explicar o texto para o fanqueiro, melhor seria se o advogado escrevesse outro texto com uma linguagem mais clara, direta e objetiva.

  34. Ao contrário do que o título do texto sugere, o autor utiliza o juridiquês e não propõe a simplificação da linguagem jurídica. Dessa forma, há limitação da aceitabilidade, já que nem todos podem compreender o texto. Vale ressaltar o preconceito do autor no que diz respeito à linguagem utilizada por seu cliente.

  35. Ao ler o texto me surpreendi; pensei que os autores estariam fazendo uma crítica ao uso do juridiquês, mas na verdade eles fazem e defendem seu uso.A meu ver os autores foram irônicos e faltaram-lhe bom senso. No início reconhecem a importância (dada por muitos da área do Direito) de tornar os textos mais acessíveis aos cidadãos, mas na realidade não atuam dessa maneira. Eles foram preconceituosos e desrespeitaram o cliente, pois quando este alegou que necessitava de um texto mais acessível para sua compreensão não havia necessidade de torna-lo um “rape”. Os autores devem lembrar da função social do Direito e que para um texto pertencer ao Domínio jurídico, não é preciso utilizar termos rebuscados ou excesso de formalismo.

  36. O texto possui um caráter irônico e satírico quando aborda em seu título uma crítica “abaixo o juridiques” e em seu corpo traz termos técnicos e linguajar rebuscado típicos do âmbito jurídico. Sua fundamentação é baseda numa crítica aos extremos
    do discurso juridico no que concerne a textos inacessíveis ao cidadão comum e a textos que despersonalizam totalmente o carate forense formal. Vê-se a necessidade de um equilibrio entre ambos tipos discursivos para a devida eficácia pretendida pelos juristas.

  37. O texto, apesar do título, manifesta-se a favor da utilização do juridiquês e desvaloriza o uso de linguagens menos rebuscadas, o que demonstra um preconceito por parte dos autores.
    É indiscutível a necessidade da utilização de uma linguagem formal. Porém, termos rebuscados e expressões arcaicas dificultam a acessibilidade dos textos e a linguagem acaba perdendo sua função social. Com isso, percebe-se que é indispensável o equilíbrio e o bom senso para que o texto não perca sua clareza.

  38. É, parece que um professor resolveu usar esta crônica para avaliar os alunos quanto à interpretação de textos. Legal! :)

  39. O corpo do texto traz justamente o contrário do que propõe o título: é impermeado de termos técnicos e rebuscamentos. Não mostra desse modo preocupação alguma com a acessibilidade a um leitor de nível médio.
    Certamente há um preconceito com o uso de uma linguagem mais simples, primando, assim, pelo juridiquês. Mas qual o porquê de nao escrever de maneira culta e ainda assim acessível?

  40. Prezados Alberto e Janine Rollo.

    O texto postado por vocês expõe claramente o pensamento corporativista de muitos operadores do Direito, que a linguagem jurídica pertence apenas a um grupo seleto de profissionais. Esse comportamento vai de encontro com a tese de que a justiça é para todos. Proponho a todos os simpatizantes do juridiquês, que tenham a consciência que vivemos numa era pós-moderna e globalizada, onde as barreiras caem todos dias.

  41. O que falta de sensibilidade aos autores, sobra em sarcasmo (mal feito, diga-se de passagem)! É ingenuidade – pra não dizer ignorância – defender o juridiquês em pleno século XXI, época de romper barreiras, inclusive as linguísticas. O Direito é essencial para o interagir humano, e justamente por isso nós – operadores do Direito – devemos ter o cuidado de facilitar a comunicação com o destinatário. Não proponho o radicalismo (como o emprego de gírias no texto em debate) mas sim a eliminação do desnecessário. É possível empregar uma linguagem culta, e produzir um texto claro e objetivo. Uma coisa é certa: quando sobra juridiquês, falta conteúdo.

  42. O objetivo do texto é relatar que certos grupos da sociedade desejam que o linguajar jurídico seja menos rebuscado, e outro objetivo é mostrar aos leitores uma adaptação a uma linguagem que não é jurídica, porém os advogados que fizeram está adaptação a fez de uma maneira muito extrema fazendo com que o entendimento continuasse sem alcançar a todos os tipos de pessoas da sociedade, não alcançando assim a finalidade de fato.

  43. O texto não vê a real intenção da simplificação da linguagem na área jurídica. Os autores são extremistas: ou se usa uma linguagem rebuscada e inacessível, ou uma totalmente coloquial. O que se faz necessário, ao contrário, é um meio-termo – escrever textos cultos e técnicos de forma clara, objetiva e concisa.

  44. Ao contrário dos autores do texto, acho que o uso de linguagem exclusivamente técnica é uma forma de exclusão e preconceito com aqueles que não têm contato com tal área, principalmente na área do Direito. É inegável que é preciso utilizar a linguagem formal e culta, mas a utilização de um linguajar rebuscado e pomposo é desnecessária, já que a justiça é para todos e é imprescindível o entendimento de todos no assunto. E mais, em razão desse difícil entendimento o acesso à justiça é problemático.

  45. O texto Jurídico deve ser claro e objetivo para facilitar a compreensão das pessoas. Vale ressaltar que o texto não pode deixar de ter uma linguagem formal e culta, porém não é preciso utilizar palavras muito rebuscadas e até mesmo arcaicas, como as utilizadas no texto.

  46. O texto foge do objetivo de repressão ao juridiquês. Ao contrário, os autores escrevem apenas para uma classe – a dos advogados.
    O juridiquês deveria ser banido, e TODOS devem compreender o que está sendo dito.
    Afinal, A JUSTIÇA É PARA TODOS.

  47. Para que as pessoas tenham uma maior compreensão de textos jurídicos, é necessário o uso da linguagem mais simplificada, sem deixar de ser culta. Com isso, não se precisa utilizar expressões que caracterizam o juridiquês, por exemplo: trechos em latim, palavras rebuscadas e arcaicas. Isso significa que no Direito é possível utilizar a linguagem técnica, sem deixar de ser inacessível.

  48. A função primordial do Direito é servir à sociedade e como tal, deve estar em conformidade com a mesma. Como a sociedade é heterogênea e o nível de compreensão dos indivíduos são diversos o discurso jurídico deve ser claro, objetivo e acessível a todos que tiverem contato com o mesmo.

    Dessa forma, simplificar a linguagem jurídica também não implica construir petições totalmente fora dos padrões discursivos como foi feito pelo autor do texto “Abaixo o Juridiquês”. O que o autor fez foi um exagero e soou como ironia ao verdadeiro objetivo dos que defendem o novo estilo discursivo.

  49. O texto ironiza a simplificação da linguagem e não está preocupado com o leitor de nível médio,pois demonstra o preconceito arraigado nos operadores de Direito.

  50. Conquanto o título seja “abaixo o juridiquês”, nota-se que o “juridiquês”, na verdade, está sendo defendido no texto e, para tal, o autor usa a estratégia textual de escrever com certa ironia.
    Vale destacar que em um discurso jurídico, a linguagem culta e técnica são realmente necessárias. Entretanto, não podemos confundir linguagem técnica com o “juridiquês”. Este tipo de escrita é caracterizado pelo excessivo uso de termos restritos ao Direito, como por exemplo, vocábulos em latim. Embora algumas vezes seja válido e necessário o uso dos termos em latim, a utilização exagerada é desnecessária e, diferentemente do que muitos pensam, tal hábito nao traz credibilidade ao texto, apenas caracteriza um erro, o “juridiquês”. Além disso, como muito bem citou Nayara, o “juridiquês” vai contrário à função social do direito visto que restringe ao máximo o entendimento do texto. Logo, tal tipo de escrita cria uma barreira de acessibilidade, limitando o acesso à apenas aqueles detentores do conhecimento jurídico que, na maioria das vezes, pertencem à uma elite dominante.
    O que se pode concluir de toda essa questão é que, infelizmente, prestes à terminar a primeira década do século XXI, ainda há indivíduos presos à cultura bacharelesca do século XIX, impossibilitando, assim, o uso do direito como forma de emancipação social.

    Marcos Alberto Balestreiro Filho
    FDV

  51. O texto defende o uso do juridiquës e afirma que o fim desse significa banalizar a linguagem jurídica. Aborda o uso da língua dos `funkeiros` de forma ironica, já que se é para facilitar a comunicaçäo é possível usar qualquer tipo de vocabulário. Mas näo deve ser assim, a linguagem deve ser clara e adequada ao discurso, para cumprir sua funçäo: uma boa e clara comunicaçäo.

  52. Permitir que a justiça chegue a todos de maneira clara é um dos maiores princípios da nossa jurisdição, para tanto, os nossos operadores do direito devem estar conscientes que o uso da linguagem demasiadamente técnica ou vulgar além de mostrar um (in)formalismo exagerado, dificultam entendimeto e o consequente acesso pleno à justiça.

    Faz necessário, portanto, a busca pelo léxico mais acessível que compreenda, simultaneamente, clareza. Sem isso, estaremos fadados a extremismos imcomprensíveis como o desse texto.

    JOÃO GABRIEL JACOB DE ALMEIDA
    -FDV-

  53. O Direito por ser um instrumento que tem como escopo atender as necessidades da sociedade e pelo fato da sociedade ser composta por individuos de diferentes niveis sociais, logo com diferenças existentes entre os níveis de linguagem, o discurso juridico utilizado pelos operadores de direito deve ser acessível a todas essas classes, para que o direito seja capaz de chegar a todas elas.
    Logo, esse texto fere esse princípio do direito, pois além de ulizar uma liguagem de dificil acesso, faz uma ironia a essa diferença do niveis de linguagem dessas diferentes classes.

  54. O texto expõe que a linguagem utilizada pelos juristas da atualidade não condiz com a sociedade em que praticam a jurisdição, já que esta sociedade nao possui conhecimento técnico para entender jargões de tal área, ou sequer é alfabetizada, o que faz com que essas pessoas não tenham conhecimento das leis e muitas vezes não tenham acesso à justiça.
    Portanto, é um dever dos juristas tornar a justiça mais acessível através também da linguagem.
    Com relação à adaptação do advogado ao estilo funk, talvez não seja a medida mais adequada, pois apesar de ser necessário tornar a linguagem mais compreensível, nao se deve torná-la totalmente informal, afinal, trata-se do Direito.

  55. É visível que o autor do texto “abaixo a juridiquês” não dá importância para sua compreensão pelas pessoas de nível medíocre, visto que o autor utiliza durante o texto uma linguagem rebuscada, termos técnicos e o uso do latim.
    O texto nos mostra um tipico exemplo do difícil acesso a justiça por parte dessa camada social menos privilegiada, que não possui um conhecimento prévio e necessário para a compreensão de tais processos.
    É preciso a utilização da escrita de forma mediana, moderada e ao mesmo tempo formal ( principalmente ) visando o melhor entendimento de todos!

  56. O uso do juridiquês dificulta a compreensão dos textos jurídicos por parte da população e por parte dos próprios profissionais do Direito, que muitas vezes não conhecem o significado de certas palavras e expressões. Contudo, é necessária a utiização de uma linguagem que busque o equilíbrio entre o excesso de formalismo e o coloquialismo, o que seria a melhor forma de se encontrar um meio de facilitar a comunicação e, conseqüentemente, os procedimentos judiciais.

  57. O texto faz uma crítica ao excesso da linguagem rebuscada utilizada nas publicações destinadas aos operadores do direito. Porém o autor vai ao extremo pelo fato de utilizar a linguagem do funk numa petição inicial.
    Essa utilização trouxe incoerência ao texto, pelo uso de palavras coloquiais e muita das vezes outras rebuscadas.

    Rodrigo Klein Fornazelli Monteiro
    FDV

  58. O autor utilizou excessivamente a linguagem rebuscada e o latim em seu texto “Abaixo Juridiquês”. O texto mostrou explicitamente a dificuldade da compreensão dos termos técnicos, excluindo a maioria da população que têm domínio médio da língua. Esse exemplo de texto deve ser evitado pelos juristas, com o intuito de transparecer o conteúdo por meio do entendimento mediano do português. O que possibilita o amplo acesso, sem censurar aos leigos em direito ou com escolaridade média.

  59. O texto começa com um título dando a falsa idéia de que será crítico ao uso da linguagem jurídica rebuscada, enquanto que, ao ler o corpo do texto, percebe-se uma sútil crítica aos “defensores do novo estilo” que pregam uma linguagem mais popular no dia-a-dia da área Jurídica, usando uma boa pitada de irônia e sarcasmo, como pode-se ver pelo funk ali descrito.Porém discordo do autor, pois ele pouco se importa com o cidadão comum brasileiro, que tem pouco ou nenhum conhecimento dessa lingua estranha chamada “juridiquês”, que faz com que ele se afaste cada vez mais da justiça, colocando-a em um pedestal inalcançável para todos os outros reles ‘mortais’ exceto aqueles partes da elite dominante e seus caros advogados.

  60. A falta de informação e a complexidade das normas jurídicas formam uma barreira ao acesso à justiça, e isso leva uma certa contratação de advogados para mera interpretação das leis. O uso do juridiquês só aumenta essa barreira e faz até que pessoas da área jurídica sejam incapacitadas de interpretar um texto. O autor do texto em questão opta por dois meios, o da linguagem de difícil acesso e aquela que ele denomina de linguagem de “funkeiros”. Mas, nem sempre falar bonito é ser claro, e nem ser claro é ser descuidado, então, há uma necessidade da promoção de uma linguagem clara e acessível à todos para que a justiça seja acessível para quem precise.

  61. A função social do direito é simplesmente ignorada ao ser usado o jurisdiquês. Com o uso abusivo da linguagem rebuscada em peças processuais, não gerará vantagem alguma, se não barreiras e obstáculos para a possível interpretação do texto,e na maioria das vezes dificultando até os conhecedores de direito na interpretação da peça. É impressindivel o uso de uma linguagem acessível a todos, ou seja, uma linguagem culta, que ao contrario do que muitos pensam é a linguagem que todos entendem.

    Com relação a adaptação feita pelo advogado, com intuito de um melhor entendimento para os seus clientes, ao meu ver,julgo como dispresível, já que, ao utilizar uma linguagem acessível a todos, não será necessario o uso de um vocabulario tecnico, ou seja, adequado a tal grupo social.

  62. O texto começa com um título dando a falsa idéia de que será crítico ao uso da linguagem jurídica rebuscada, enquanto que, ao ler o corpo do texto, percebe-se uma sutil crítica aos “defensores do novo estilo” que pregam uma linguagem mais popular no dia-a-dia da área Jurídica, usando uma boa pitada de ironia e sarcasmo, como se pode ver pelo funk ali descrito. Porém discordo do autor, pois ele pouco se importa com o cidadão comum brasileiro, que tem pouco ou nenhum conhecimento dessa língua estranha chamada “juridiquês”, que faz com que ele se afaste cada vez mais da justiça, colocando-a em um pedestal inalcançável para todos os outros reles ‘mortais’ exceto aqueles partes da elite dominante e seus caros advogados.

  63. O texto não expõe a realidade do juridiquês, uma vez que essa idéia se confunde no entendimento dos autores, que enxergam o fenômeno como unicamente a utilização de palavras rebuscadas e, como no exemplo citado no texto, a linguagem de um grupo social (os “funkeiros”) espécífico. O juridiquês implica na falta de compreensão do público alvo de um texto devido à utilização de palavras ou expressões que não pertencem ao vocabulário semântico dos destinatários, os quais não alcançam a real intenção do autor.

  64. A linguagem utilizada no Direito deve ser clara e objetiva para que toda a população, independente do seu grau de instrução, entenda, por completo, a situação que está sendo retratada. Diferente da linguagem mostrada no texto, que é restrita à compreensão de um grupo.

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