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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Uma porcaria de diligência

16/03/2008 às 15h32min Paulo Gustavooficiais de justiça

Há alguns anos, um advogado de Itajubá (MG) teve deferido um pedido de liminar para arresto de bens. Dentre os bens a serem arrestados, estavam diversos porcos, que já se encontravam dentro de um vagão de trem estacionado na estação ferroviária da cidade, rumo ao abate.

Devido à urgência, o causídico cuidou para que o mandado fosse rapidamente entregue para cumprimento por dois oficiais de justiça e para que fosse disponibilizado um caminhão para a execução da diligência.

Os meirinhos já estavam na estação quando um deles percebeu algo estranho no mandado e comentou com o colega:

– Você viu o que o juiz despachou?

– Não! – respondeu o outro – O que é?

– Olha, aqui no mandado, não está escrito para arrestarmos nenhum porco. Acho que estamos fazendo o serviço errado!

– Xi! Melhor dar por encerrada essa diligência! Esse advogado pode estar nos colocando numa fria.

Ao ver que o caminhão retornara vazio da estação, o advogado voltou correndo ao fórum para saber o motivo do insucesso do trabalho.

Os oficiais de justiça responderam que o motivo do descumprimento seria a falta da determinação expressa para o arresto dos porcos.

O advogado, furioso, pegou uma cópia do mandado e exibiu para os meirinhos:

– Como não? Leiam aqui: “…proceder ao arresto de 58 cabeças de suínos, destinados ao abate…”.

Ainda atordoados com a explicação do causídico, os meirinhos retornaram à estação. Como o trem já tinha partido, tiveram que seguir viagem até o município vizinho de Piranguinho (MG), onde finalmente deram cumprimento à ordem. Na certidão da diligência, constou a seguinte observação:

“…Certificamos que em cumprimento à ordem do MM. Juiz da Comarca de Itajubá-MG, procedemos ao arresto de 58 cabeças de porcos… Certificamos e damos fé que SUÍNOS são PORCOS. Itajubá, data supra.”

Ainda bem que o juiz da vara não se referiu aos suínos pelo seu coletivo. Imagine a confusão quando esses meirinhos lessem que teriam que arrestar uma vara…

(Com colaboração de Carlos Roberto Augusto)

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