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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

A porta da esperança

02/06/2008 às 1h06min Paulo Gustavopiadas

Sessão do tribunal do júri. O réu, acusado de homicídio, era defendido por um advogado que baseava a sua argumentação na falta de materialidade do crime, pois o cadáver não fora encontrado.

O causídico que defendia o réu fazia a sustentação oral quando seu celular tocou. Após pedir licença, atendeu a ligação. Falou ao telefone por alguns instantes, abriu um largo sorriso e dirigiu-se ao júri com uma bombástica surpresa que mudaria todo o rumo do julgamento:

– Senhores jurados, eu tenho uma novidade! Acabo de receber a informação de que, dentro de dois minutos, a suposta vítima vai entrar neste salão e provar que está viva!

Todos ficaram espantados com a informação e voltaram os olhos para a porta.

O advogado pediu que todos aguardassem por alguns minutos. O tempo passou e ninguém chegou.

O juiz, já impaciente, pediu explicações ao patrono do réu. Este, após atender outro telefonema, falou:

– Senhores, infelizmente a pessoa desaparecida não poderá vir. Mas o que importa é que todos vocês olharam para porta com a expectativa de ver a suposta vítima. Portanto, ficou claro que ninguém tem certeza se realmente ela está morta. Por isso, peço aos jurados que concedam o benefício da dúvida, absolvendo o réu.

Ainda atônitos, os jurados se retiraram para a sala ao lado a fim de proferir sua decisão. Quando retornaram, o juiz leu o resultado da votação: o júri considerou o réu culpado, por unanimidade.

Terminada a sessão, o advogado, inconformado, foi conversar com um jurado:

– Como vocês puderam condenar o réu? Eu vi todos vocês olharem fixamente para a porta! Está claro que vocês estavam em dúvida!

O jurado, bastante observador, respondeu:

– Sim, é verdade. Todos nós olhamos para a porta, menos o seu cliente.

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