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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos da Categoria curtas e boas

Vida de advogado associado

16/09/2008 às 21h51min Paulo Gustavocurtas e boas

Quando algo toma o seu tempo, você é lento.
Quando algo toma o tempo do titular do escritório, ele é meticuloso.

Quando você não faz, é desidioso.
Quando o titular do escritório não faz, é assoberbado.

Quando você erra, é medíocre.
Quando o titular do escritório erra, é humano.

Quando você faz algo antes que seja instruído, está passando das medidas.
Quando o titular do escritório faz o mesmo, é porque tem iniciativa.

Quando você defende seu ponto de vista, é intransigente.
Quando o titular do escritório defende o ponto de vista dele, é firme nas opiniões.

Quando você transgride uma regra de etiqueta, é mal-educado.
Quando o titular do escritório faz isso, é original.

(Transcrito do livro O advogado que ri, de Milton Célio de Oliveira Filho e Nelson Lopes de Oliveira Ferreira Jr., São Paulo, Matrix, 2005)


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Filme de tribunal brasileiro

06/09/2008 às 19h03min Paulo Gustavocurtas e boas

Nos Estados Unidos, são comuns as películas cinematográficas sobre temas jurídicos, tais como A firma, O júri, O cliente, Questão de honra, Doze homens e uma sentença

Por que não há filmes brasileiros de tribunal?

Seguem algumas possíveis explicações:

1. O filme levaria oito horas até esgotar todas as instâncias, recursos, embargos, apelações e agravos.

2. Ninguém acreditaria no Tony Ramos vestido de juiz, com aquela peruca de cachinhos brancos, batendo com um martelinho na mesa e gritando “Ordem no Tribunal! Ordem no Tribunal!”.

3. A cada quinze minutos de filme, o juiz seria promovido, sairia de férias ou desistiria da carreira, sendo substituído por outro (dessa vez o Tarcísio Meira de peruca).

4. A cada trinta minutos, o Judiciário inteiro entraria em greve.

5. Toda a discussão do processo giraria em torno da falta de uma guia de custas ou do significado de uma vírgula numa alínea de um parágrafo de um artigo do Código Penal.

6. As alegações dos advogados seriam recheadas de expressões do tipo outrossimdestarteencômioprolegômenonobres causídicosilustres membros desta casa do saber jurídico etc.

7. Os juízes dormiriam ou conversariam entre si durante as sustentações orais.

8. E ao final, depois de oito horas de palavrório inútil, o bandido seria inocentado em um Tribunal de Brasília e entraria com uma ação de danos morais contra os seus acusadores.

Essa listinha circula na internet há mais de quatro anos, e parece ter sido originalmente publicada no blog Canjicas. Houve quem acrescentasse mais motivos:

9. Ney Latorraca ou Marco Nanini fazendo papel de promotor de Justiça seria algo inverossímil.

10. Regina Duarte como testemunha de homicídio, dizendo “Eu tenho medo”, não surtiria mais o efeito dramático exigido pelo filme.

O jornalista Josué Maranhão discorda da lista e acredita que seu criador estava mal informado sobre as calamidades da Justiça brasileira:

  • “Fosse o autor do e-mail um conhecedor, por vivência própria, pelo hábito e obrigação de ‘esfregar a barriga’ em balcão de cartório diariamente, jamais poderia imaginar que o filme teria tão curta duração. No mínimo teria que ser algo como as mais famosas novelas da televisão brasileira, que se arrastam durante anos.”
  • “Esqueceu o autor de computar no tempo a ser desperdiçado, os três meses por ano em que os tribunais entram em recesso, sem falar que o processo, até chegar ao julgamento, já mofou durante quatro anos ou mais, no Serviço de Distribuição.”
  • “Também não imaginou que, iniciado o julgamento, após o voto do juiz-relator, um outro juiz pede vista e demora meses, quando não anos, para devolver o processo, de forma que o julgamento possa ter seqüência.”
  • “Além disso, como intercalar no roteiro do filme o período de seis meses em que o juiz pode se afastar, usufruindo a licença-prêmio a que todos eles têm direito após determinado número de anos de serviço?”
  • .
    .
    “O otimismo do autor extrapola os limites, quando desconhece inteiramente a realidade e cogita de uma greve durando apenas 30 minutos. Esqueceu, certamente, que a última greve dos servidores do judiciário paulista demorou nada menos de noventa dias?”
  • “Deixou, ainda, de considerar que, além da discussão a respeito de guias de custas, algum tribunal, apreciando o processo, haveria de não conhecer do recurso, simplesmente alegando que as cópias anexadas pelo advogado não podem ser consideradas legítimas. Seria necessário que fossem autenticadas por um notário, com pelo menos cinco carimbos e selos.”

Em minha opinião, a principal das dificuldades para os produtores seria definir o nome do filme, pois nenhum outro explicaria tão bem a situação do autor da ação quanto À espera de um milagre.

Heranças e inventários

28/08/2008 às 23h20min Paulo Gustavocurtas e boas

O que é herança?
É aquilo que os mortos deixam para que os vivos se matem.

Qual a diferença entre o advogado e a sanguessuga?
A sanguessuga vai embora quando a vítima morre. O advogado espera pelo inventário.

Qual o processo de inventário mais complicado da História?
O de Jesus Cristo. É que Deus deixou dois testamentos, e até hoje se discute qual deles deve ser seguido: o antigo ou o novo.

Só apelando

13/08/2008 às 22h02min Paulo Gustavocurtas e boas

Apelação: recurso cabível contra a sentença proferida pelo juiz, que faz com que as matérias recorridas sejam reanalisadas pelo tribunal correspondente.

Ou não…

(Tirinha reproduzida do blog Ivo Viu a Uva)

Piadas de juiz

18/07/2008 às 0h52min Paulo Gustavocurtas e boas

  • Quando dois ou mais juízes se encontram, quais são os assuntos prediletos?

1. De como trabalham muito.
2. De como estão ganhando pouco, apesar das suas responsabilidades.
3. Falar muito mal de todos os demais juízes que não estão presentes.

  • Qual é a segunda coisa que um juiz pergunta para o outro, depois de se encontrarem?

– Em que lugar você está na lista de antiguidade?

  • Qual é a maior mentira que um juiz pode contar?

– Nunca atrasei uma sentença.

  • Qual é a segunda maior mentira que um juiz pode contar?

– Nunca atrasei um despacho.


    • O que mais irrita um juiz?

    Dizer que discorda dele.

    • Qual é a segunda coisa que mais irrita um juiz?

    Não ser promovido.

    • Quem um juiz mais odeia?

    O outro juiz que está na sua frente na lista de antiguidade.

    • O que os juízes esperam com muita ansiedade?

    A aposentadoria.

    • Quais são os maiores temores de um juiz?

    1. Não ser vitaliciado.
    2. Ser exonerado antes da aposentadoria.


    • Por que os juízes usam toga?

    Nem eles sabem porque gostam de ficar parecendo morcegos.

    • O que todo juiz supõe que nenhum mortal é capaz de enfrentar?

    O concurso para se tornar juiz.

    • Com quem os juízes gostam de casar?

    Promotoras de Justiça ou juízas, para repartir as despesas.

    • E as juízas?

    Com maridos que elas possam mandar e dizer que sustentam a casa.

    • Qual o significado de “tribunal”?

    Tribo em que só há caciques.

    (Texto sem identificação de autoria, reproduzido do blog A Minha Vara)