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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos da Categoria leis esquisitas

Vereadores criativos

10/02/2008 às 18h35min Paulo Gustavoleis esquisitas

Nossos ilustres vereadores não se cansam de elaborar projetos de lei relevantes para a sociedade.

Mafra (SC)

Corria o ano de 1967 quando um vereador proferiu discurso em plenário defendendo uma lei municipal a obrigar que os palitos de fósforo viessem com duas cabeças, a fim de economizar o pauzinho, evitando assim o agravamento do problema da devastação das florestas e reduzindo o preço deste importante produto da cesta básica.

(Fonte: 2º Febeapá, de Stanislaw Ponte Preta)

Jundiaí (SP)

Os nobres edis travaram uma séria discussão na Câmara acerca da necessidade de se obrigar as lojas da cidade a colocarem vidros fumê em suas vitrines, a fim de evitar que os transeuntes distraídos se esborrachassem nas mesmas.

Teresina (PI)

Entre outros projetos inúteis da década de 90, destacaram-se:

  • obrigatoriedade da instalação de telefones públicos em todos os cemitérios municipais.
  • obrigatoriedade do uso de cinto de segurança — mas a exigência se estenderia até aos ônibus e ao metrô.
  • moção de apoio à proibição de construir abrigos nucleares (!?!?).

(Fonte: O Dia, Teresina)

Juiz de Fora (MG)

Em 1999, os vereadores incluíram na pauta da convocação extraordinária os seguintes projetos de lei:

  • criação do sentido de mão e contramão em ruas para pedestres;
  • exigência do preenchimento de fichas com nome e endereço dos hóspedes de motéis.

(Fonte: Ricardo Boechat, O Globo)

Melancia e formiga são proibidas em Rio Claro

10/02/2008 às 9h17min Paulo Gustavoleis esquisitas

Em 1991, a cidade de Rio Claro (SP), descobriu que a melancia era uma fruta proibida nos limites do município. A “Lei da Melancia” entrou em vigor em 1894. Na época, acreditava-se que ela transmitia tifo e febre amarela.

Na mesma cidade, os proprietários de casas que tivessem formigueiros poderiam ser multados. Uma lei de 1965 fixava uma multa de 2,5% do salário mínimo para quem tivesse formigueiro em casa. Além disso, o dono do formigueiro tinha de arcar com as despesas do extermínio das formigas.

Grandes siglas, pequenos negócios

08/02/2008 às 17h30min Paulo Gustavoleis esquisitas

Governador de São Paulo por duas vezes nas décadas de 60 e 70, Laudo Natel criou o SIRCFFSTETT – Setor de Investigações e Repressão ao Crime de Furtos de Fios de Serviços de Transmissões Elétricas, Telegráficas ou Telefônicas.

O cronista Sebastião Nery lamentou a dificuldade da telefonista do órgão ao atender as ligações:

– Alô. Aqui é do SIRCFFSTETT.

(Fonte: Folclore Político, de Sebastião Nery)


Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, foi criado o Conselho Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental de Valorização do Magistério.

Ou seja: o CNACSFMDEFVM.

(Fonte: “Meio Norte”, Teresina)

O matadouro do marechal

08/02/2008 às 17h21min Paulo Gustavoleis esquisitas

Em plena ditadura militar, o prefeito de Nova Friburgo (RJ) homenageou o presidente Humberto de Alencar Castelo Branco com um insólito decreto:

“Decreto nº. 166

O Prefeito Municipal de Nova Friburgo, usando das atribuições que lhe confere o art. 20, III, da Lei nº. 109, de 16 de fevereiro de 1948,

(aqui entra uma dezena de “considerandos”)

DECRETA:

Art. 1º. Fica denominada Praça Presidente Castelo Branco o logradouro público conhecido por Largo do Matadouro.

Eng. Heródoto Bento de Melo
Prefeito”

Segundo o irreverente Stanislaw Ponte Preta, não poderia ter sido escolhido melhor o nome do logradouro a ganhar o nome do presidente…

(Fonte: 2º Febeapá, de Stanislaw Ponte Preta)

Pelas barbas de Tiradentes

06/02/2008 às 18h31min Paulo Gustavoleis esquisitas

Em 1966, um historiador levantou a possibilidade de Tiradentes não usar barba e ter cabelos curtos.

Por isso, quando da emissão da cédula de cinco mil cruzeiros, que trazia a imagem de Tiradentes, o Diário Oficial da União publicou a resolução presidencial de se venerar “a efígie que melhor se ajusta à imagem de Joaquim José da Silva Xavier gravada pela tradição na memória do brasileiro”.

A leitura da sentença de Tiradentes (óleo sobre tela de Eduardo de Sá) - fonte: Wikipedia
A leitura da sentença de Tiradentes (óleo sobre tela de Eduardo de Sá) - fonte: Wikipedia

No Diário Oficial do dia seguinte ao da publicação do decreto presidencial, constava uma retificação que ninguém entendeu, dizendo:

“Onde se lê Joaquim José, leia-se José Joaquim”.

Após alguns dias, a retificação da retificação, no Diário de 27 de abril de 1966:

“Fica sem efeito a retificação publicada no Diário Oficial de 19-4-66, na página 4101″.

Em tempo: o nome do mártir é mesmo Joaquim José.

(Fonte: Folclore Político, de Sebastião Nery)