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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos da Categoria testemunhas

A pistola do amante

31/07/2008 às 6h20min Paulo Gustavotestemunhas

Tribunal do júri numa comarca de Minas Gerais (possivelmente Betim ou Mateus Leme).

Um homem matara o amante da esposa a tiros após flagrá-lo em adultério.

A tese do marido era legítima defesa, pois, durante a discussão que acabou na rua, o amante o teria ameaçado com uma pistola.

Durante a oitiva de testemunhas, o juiz perguntou a uma mulher que presenciara o homicídio:

– Quando o réu atirou, a vítima estava com a pistola na mão?

Enrubescida, a testemunha respondeu:

– Não, doutor, já tinha lavado e guardado.

(Baseado em colaboração do juiz R.C.M., publicada no blog do PC Neri)

A boa reputação do réu

02/05/2008 às 7h35min Paulo Gustavotestemunhas

Corriam os anos de ferro quando um subtenente do Exército, às vésperas da reforma, era julgado no tribunal militar, acusado de furto de bens do quartel.

À primeira testemunha de defesa, é feita a pergunta inicial, sobre o conceito e a idoneidade do réu, ao que esta responde:

– Excelência, não sei informar nada quanto à vida particular do réu, porque não o conheço na intimidade, mas no quartel todos sabem que é conhecido como “muambeiro”.

O advogado, lívido, ainda conseguiu reverter o estrago e obter a absolvição do acusado.

(Adaptado de artigo do advogado Albarino de Mattos Guedes, publicado na coletânea “O Pitoresco na Advocacia”, coord. Fernandino Caldeira de Andrada, Curitiba, Associação Cultural Avelino A. Vieira, 1990)

Conhecimento direto

23/04/2008 às 8h04min Paulo Gustavotestemunhas

Audiência em ação de despejo, nos autos do Processo nº 160/1961, da Comarca de São José dos Pinhais (PR).

O saudoso juiz Assad Amadeo Yassim ouvia as testemunhas do réu.

O advogado do autor, Arthur de Souza, percebendo que a testemunha tinha sido instruída a narrar fatos que não correspondiam à verdade, solicitou ao magistrado que indagasse a ela como tivera conhecimento dos fatos.

O juiz então perguntou à testemunha:

– Isso tudo o que acaba de falar, o senhor soube por terceiros?

A testemunha, sentindo-se acuada, respondeu de bate-pronto:

– Não, senhor, eu soube por primeiro!

(Adaptado de artigo do advogado Arthur de Souza, publicado na coletânea “O Pitoresco na Advocacia”, coord. Fernandino Caldeira de Andrada, Curitiba, Associação Cultural Avelino A. Vieira, 1990)

Testemunha interessada

25/03/2008 às 9h13min Paulo Gustavotestemunhas

Em audiência realizada na 1ª Vara do Trabalho de Mossoró (RN), o juiz Edwar Abreu, antes de deferir o compromisso, perguntou à testemunha arrolada pelo reclamante se ela já havia prestado depoimento nesta condição em outra ocasião.

A testemunha, inocentemente, responde:

– Já, mas nós perdemos!

O juiz, surpreso com a franqueza, completou ironicamente:

– Mas, nesta questão, o senhor tem certeza que vocês vão ganhar, né?

A testemunha, de pronto, assentiu:

– Claro, doutor!

Com a sabedoria de anos de experiência, o juiz dispensou o depoente.

(Com colaboração do advogado Jessé Tavares da Costa)

Feitiço contra o feiticeiro

12/02/2008 às 21h38min Paulo Gustavotestemunhas

Audiência numa Junta de Conciliação e Julgamento da Paraíba.

Como o advogado da empresa não trouxera testemunhas, convenceu um transeunte a fazer o papel de um antigo empregado da empresa.

Instruiu-o a dizer que trabalhava lá há vinte anos, e que nunca havia visto o autor da ação na empresa.

Com o depoimento da testemunha forjada, o empregado viu sua ação ser julgada improcedente.

Anos depois, o advogado do empregado que perdeu a causa encontra, na rua, o falso empregado. Puxando papo, pergunta se ele ainda trabalhava na empresa, e este confessa que nunca trabalhou lá, que foi tudo armação.

Acende uma luzinha na cabeça do matreiro advogado.

Ele então propõe ao falso empregado que entre na Justiça contra a empresa, dizendo que trabalhou lá vinte anos, sem carteira assinada, juntando como prova o depoimento que prestou na outra reclamação trabalhista.

Assim fez o pretenso empregado. A empresa, pega desprevenida, não pôde negar suas alegações.

O falso “empregado” ganhou a causa, e o advogado do verdadeiro sentiu o gostinho da vingança…