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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos com o marcador audiência

A partilha da esposa

06/02/2008 às 13h06min Paulo Gustavojuízes

O advogado Jurandi Piegas Araújo, advogado gaúcho da cidade de Venâncio Aires, conta a seguinte história, à qual atribui o motivo de ter escolhido a profissão:

“Lá pelos idos de 1903, meu avô morava no interior do Rio Grande do Sul.

Como era uma pessoa um pouco mais esclarecida na localidade, gostava de ler, possuía Código Civil e Penal, além de outros livros jurídicos, era considerado meio “juiz” da localidade, embora nunca tenha estudado Direito.

Um cidadão casou-se com uma bela morena, a mais bonita da cidade. Tinha na ocasião do casamento 17 anos. Passados uns meses, o marido foi viajar e abandonou a esposa.

Meses depois, um outro cidadão se encantou pela morena e iniciou um romance, e passaram a viver juntos.

Passados sete anos, eis que o marido verdadeiro voltou. A primeira coisa que reivindicou foi sua mulher, afinal eram casados.

Instalada a pendenga, num domingo, depois da missa, levaram o caso para o meu avô.

Após muitos debates, veio a ’sentença’:

– Os dois têm direito, um por ser marido legítimo e o outro por ter dado guarida à mulher. Assim, nas segundas, quartas e sextas-feiras, a mulher deve ficar na companhia do marido legítimo; nas terças, quintas e sábados, na companhia do homem que lhe deu guarida,

O marido legítimo ponderou:

– E no domingo?

Meu avô olhou bem para a morena e, vendo que ela ainda estava em forma, lascou:

– No domingo, fica comigo, por conta dos honorários.”

Inércia judicial

06/02/2008 às 12h19min Paulo Gustavojuízes

Em uma Vara Cível da Comarca de Fortaleza (CE), corria o mês de dezembro quando um juiz, suspendendo a audiência, informou que mandaria intimar os advogados do dia da continuidade do ato, já que todas as datas do ano corrente já estavam ocupadas, e ele não dispunha (a transcrição é literal) “de uma agenda do ano seguinte, sendo que tal é instrumento indispensável para o exercício da judicatura”.

O advogado do autor, então, pediu que a audiência fosse suspensa por 15 minutos, saiu da sala, atravessou a rua e adquiriu uma agenda em uma papelaria.

Entregou-a ao Juiz, e saiu com a audiência marcada para 2 de fevereiro, primeiro dia após o recesso.

O causo do causídico

05/02/2008 às 19h29min Paulo Gustavoadvogados

Um advogado recém-formado foi participar de uma audiência em Ponta Porã (MS). Estava preocupado, pois o magistrado era um ex-professor seu, que fora “retirado” da sala de aula por uma “conspiração” dos alunos. O clima ficou muito pesado.

Contudo, na audiência, o juiz tomou todo o cuidado para não magoar e relembrar o passado.

A certa altura, dirigiu-se respeitosamente ao advogado em questão, dizendo:

– Concedo a palavra ao nobre causídico, Dr. Fulano…

Aí a casa caiu! O doutor saiu chutando cadeiras, jogou sua pasta no chão e chamou o juiz para a briga, dizendo:

– O senhor é quem criou causo com nóis, nóis mandamos o senhor embora da faculdade… Vossa Excelência é que é um criador de causo, e não eu!

Testemunha copular

05/02/2008 às 16h23min Paulo Gustavotestemunhas

Crimes sexuais normalmente não têm testemunhas. Às vezes têm, mas talvez fosse melhor que não tivessem…


Art. 240 (revogado): adultério

O juiz pergunta à testemunha de um adultério:

– Então o senhor estava na praia quando viu os dois copulando?

A testemunha arregalou os olhos e respondeu:

– Doutor, eu vi um cu pra cima e outro na areia…


Art. 230: estupro

Certa feita, numa pequena cidade, em audiência de um crime de estupro, o juiz perguntou à testemunha, que era pessoa simples:

– O senhor viu a hora em que o acusado penetrou o órgão na vítima?

A testemunha parou, olhou pro juiz, sem entender bem, e respondeu:

– Doutor, este tar de orgo, eu não vi não, mas uma tamanha clarineta, ele penetrou sim!

(Colaboração de José Francisco das Chagas)


Art. 217 (revogado): sedução

Numa comarca do sul de Minas, num processo de sedução, estava sendo interrogada a testemunha de acusação, um senhor bastante idoso.

– O senhor viu a hora em que o acusado levou a vítima ao matagal?

– Sim, doutor, vi.

– E depois, o que aconteceu?

– Aí o acusado chegou lá no matinho, começou a beijar a moça…

– E o que mais o senhor viu?

– Vi o acusado e a moça tirando a roupa.

– E aí, depois de eles terem tirado as roupas, o que o acusado fez?

– Sei não, doutor, porque nesta idade que eu tou, estas coisas não são mais pra mim. Eu fui embora e não vortei mais não.

(Colaboração de José Francisco das Chagas)

Piadas de audiências

05/02/2008 às 16h11min Paulo Gustavopiadas

O réu, acusado de matar sua própria esposa, narrava como aconteceram os fatos:

– Eu voltei para casa um pouco mais cedo que de costume e encontrei minha mulher na cama com meu melhor amigo. Daí eu não resisti e matei minha mulher.

O juiz ouviu tudo, folheou rapidamente os autos e perguntou, intrigado:

– Mas não existe nada sobre seu melhor amigo no processo. O senhor poderia dizer o que aconteceu com ele?

– Bem, meritíssimo, eu apontei o dedo para ele e disse: “Rex, cachorro feioso, cachorro feioso!”


O juiz, estranhando que o réu comparecia sozinho à audiência, perguntou:

– O senhor não trouxe o advogado?

– Não, meritíssimo! Eu não tenho advogado. Resolvi falar a verdade!


Nos Estados Unidos, o promotor interroga diretamente o réu:

– É verdade que você aceitou dez mil reais para encobrir este caso?

A testemunha, com o olhar perdido, distraída, nada respondeu. O promotor repetiu:

– É verdade que você aceitou dez mil reais para encobrir este caso?

Como a testemunha continuava sem responder, o juiz interveio:

– Cavalheiro, por favor, responda à questão.

A testemunha, surpresa:

– Oh! Desculpe, eu pensei que ele estava falando com o senhor.