Um advogado, na cidade de Marília (SP), estava cuidando de uma ação de divórcio, cuja sentença ainda iria demorar para transitar em julgado.
O cliente, contudo, já queria casar novamente. Consultando o advogado, este lhe disse que a situação estaria resolvida em no máximo um mês.
Confiando na palavra do causídico, marcou o casamento para dali a trinta dias, entregando os convites e preparando toda a festa.
Dias antes do casamento, o cliente foi ao escritório do ladino advogado saber:
– Como é, doutor, tá tudo certo?
Calmamente, respondeu o esperto patrono:
– Tudo bem, mas o juiz de paz está viajando e eu mesmo terei de celebrar o casório.
No dia marcado, juntamente com inúmeros convidados, lá estava o solícito advogado, com o Código Civil e a Bíblia na mão.
Sabe-se que o advogado, após ler as palavras solenes do Código Beviláqua, ainda leu trechos da Bíblia e declarou os noivos “marido e mulher segundo as graças de Deus”.
Chamado pelo promotor para dar explicações, disse apenas:
– Só fui altruísta, quis casar duas pessoas que se amavam nada mais.
Parece que acataram sua justificativa, pois nada lhe aconteceu.
Esta história é real, e muito conhecida naquela comarca por juízes, promotores, advogados e toda a comunidade jurídica.
(Colaboração de Eduardo Silva)