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Página Legal

O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos com o marcador irã

A micção segundo Khomeini

07/10/2008 às 21h28min Paulo Gustavoleis esquisitas

Para o espanto do Ocidente, os preceitos deixados pelo Aiatolá Khomeini ao povo do Irã abrangem aspectos tão abrangentes que incluem desde a comida até o cocô.

Ficou faltando algo? Sim, o xixi. Pois não faltou, não:

  • “Recomenda-se urinar antes de orar, antes de se deitar, antes do coito e depois da ejaculação.”
  • “É melhor evitar urinar de pé, ou sobre a terra dura, no curral dos animais ou na água, sobretudo na água estagnada.”
  • “Depois de se ter urinado, é necessário primeiro lavar o ânus, caso ele tenha ficado sujo de urina. Em seguida, deve-se apertar três vezes, com o dedo do meio da mão esquerda, a parte compreendida entre o ânus e a extremidade do pênis. Depois, deve-se colocar o polegar sobre a parte superior do pênis e o indicador sobre a parte inferior e puxar três vezes o prepúcio até o anel da circuncisão. Finalmente, comprimir três vezes a extremidade do pênis.”
  • “A mulher não precisa seguir instruções especiais após ter urinado.”
  • “O orifício urinário só se purifica com água e basta lavá-lo uma única vez após ter urinado. Mas as pessoas em que a urina sai por um outro orifício farão bem em lavar duas vezes esse orifício. Isto deve ser também observado pelas mulheres.”

Ah: as normas nada falam sobre lavar as mãos depois do xixi.

(Extraído do “Livro verde dos princípios políticos, filosóficos, sociais e religiosos do Aiatolá Khomeini”. Trad. Vera Neves Pedroso. 2. ed. Rio de Janeiro, Record, 1979)

O absolutismo religioso segundo Khomeini

23/09/2008 às 18h56min Paulo Gustavoleis esquisitas

Um leitor da Página Legal questionou a veracidade das normas muçulmanas sobre todos os aspectos da vida do povo do Irã.

Embora as fontes deste blog sejam sempre pré-checadas, resolvi adquirir, num sebo virtual, um exemplar da obra O livro verde dos princípios políticos, filosóficos, sociais e religiosos do Aiatolá Khomeini (2.ed., São Paulo, Record, 1979).

A obra compila excertos de três livros do nominado autor, apresentado como: “O Valente Combatente, o Chefe Supremo, o Guia Sublime, o Moisés da nossa época, o Derrubador de Ídolos, o Exterminador dos Tiranos, o Libertados da Humanidade, Sua Santidade, o Aiatolá Supremo Imã Ruhollah Moussavi Jhomeini – Que as nossas almas lhe sejam submetidas”.

Basta a leitura de alguns parágrafos para confirmar a veracidade das normas já aqui publicadas, assim como para obter mais explicações sobre o exaustivo sistema jurídico dos xiitas muçulmanos. Assim proclama orgulhosamente o autor:

O Islã tem preceitos para tudo o que diz respeito ao homem e à sociedade. [...] Fica-se surpreso com a majestade desses mandamentos, que cobrem todos os aspectos da vida, desde a concepção até o túmulo!… Não existe assunto sobre o qual o Islã não haja emitido o seu juízo.

E de onde provêm as leis do Islã?

O governo islâmico é submetido à lei do Islã, que não emana do povo, nem dos seus representantes, mas sim diretamente de Deus e de sua divina vontade. [...] No Islã, governar significa unicamente pôr em prática as leis do Corão, também chamadas leis divinas. Essas leis devem ser obedecidas e executadas por todos, sem exceção e sem contestação. [...] Obedece-se ao Profeta porque Deus quis assim. E deve-se obedecer aos dirigentes do governo islâmico porque essa também é a vontade de Deus. No domínio da vontade divina, todo indivíduo [não] tem outro direito ou outro dever senão obedecer.”

Aos que estranharem o fato de as normas jurídicas do país serem reveladas pelo líder religioso, eis um excerto de enaltecimento à fusão Estado-Religião:

“Costuma-se dizer que a religião deve ser separada da política e que o mundo eclesiástico não se deve imiscuir nos assuntos de Estado. Proclama-se que as altas autoridades eclesiásticas muçulmanas não devem interferir nas decisões sociais e políticas do governo. Tais afirmações só emanam dos ateus: são ditadas e espalhadas pelos imperialistas. A política estava separada da religião no tempo do Profeta (Que Deus o abençoe, a Ele e aos seus fiéis)? Havia então alguma distinção entre os religiosos e os altos funcionários do Estado? Os poderes religioso e temporal estavam separados, no tempo dos Califas?”

Incrédulos, creiam. E, em breve, leiam aqui mais palavras do Líder Supremo.

A zoofilia segundo Khomeini

17/08/2008 às 9h47min Paulo Gustavoleis esquisitas

Já publicamos aqui uma série de preceitos do Ayatollah Khomeini, ainda hoje vigentes no Irã.

As normas abrangem também aspectos tão inusitados quanto… o sexo com animais:

  • “Se um homem – que Deus o proteja de tal coisa! – fornicar com um animal e ejacular, a ablução torna-se necessária.”
  • “A carne de cavalo, de mula e de burro não é recomendável. Fica estritamente proibido o seu consumo se o animal tiver sido sodomizado, quando vivo, por um homem. Nesse caso, é preciso levar o animal para fora da cidade e vendê-lo.”
  • “Quando se comete um ato de sodomia com um boi, um carneiro ou um camelo, a sua urina e os seus excrementos ficam impuros e nem mais o leite pode ser consumido. Torna-se, pois, necessário matar o animal o mais depressa possível e queimá-lo, fazendo aquele que o sodomizou pagar o preço do animal ao seu proprietário.”

(Com informações do e-book “Crônicas da Guerra Fria”, de Janer Cristaldo)

As regras segundo Khomeini

21/05/2008 às 8h53min Paulo Gustavoleis esquisitas

O líder iraniano Ayatollah Ruhollah Khomeini sintetizou, em três ensaios, as prescrições religiosas e sociais que são impostas até hoje pelo governo teocrático de seu país.

Os ensaios se chamam O Reino do Erudito (Valayaté-Faghih), A Chave dos Mistérios (Kachfol-Astar) e A Explicação dos Problemas (Towzihol-Masael).

No Brasil, os textos foram publicados em conjunto, na obra “O Livro Verde dos Princípios Políticos, Filosóficos, Sociais e Religiosos do Aiatolá Khomeini” (Rio de Janeiro, Record, 1979).

Algumas regras estão relacionadas com as regras das mulheres:

  • “É aconselhável ter pressa em casar uma filha púbere. Um dos motivos de regozijo do homem está em que sua filha não tenha as primeiras regras na casa paterna, e sim na casa do marido.”
  • “A mulher que tiver nove anos completos ou que ainda não tiver chegado à menopausa deverá esperar três períodos de regras após o divórcio para poder voltar a casar.”
  • “As mulheres da linha direta do profeta têm a menopausa com a idade de sessenta anos. As outras após os cinqüenta.”

A última das regras, salvo melhor juízo divino, parece ser a maior das aiatolices.

(Com informações do e-book “Crônicas da Guerra Fria”, de Janer Cristaldo)

A excreção segundo Khomeini

15/05/2008 às 8h46min Paulo Gustavoleis esquisitas

Ayatollah Khomeini, líder fundamentalista xiita, foi chefe do governo do Irã desde a deposição do xá Reza Pahlevi (1979) até a sua morte (1989).

Num país em que religião e governo se confundem, seus preceitos religiosos praticamente têm força de lei e permanecem válidos até os dias atuais.

Até mesmo aspectos sanitários da vida dos iranianos são regulamentados, desde a alimentação até o outro extremo do tubo alimentar:

Preparativos para a evacuação

  • “É preferível agachar-se num lugar isolado para urinar ou defecar. É igualmente preferível entrar nesse lugar com o pé esquerdo e dele sair com o pé direito.”
  • “Para defecar, deve também evitar se agachar exposto ao vento, nos lugares públicos, na porta da casa ou sob uma árvore frutífera.”
  • “É preciso que todos, no momento de urinar ou defecar, escondam o sexo àqueles que são púberes, inclusive às irmãs ou à mãe, aos débeis mentais e às crianças com idade de compreender. Mas o marido e a mulher não são obrigados a isso.”
  • “Não é indispensável ocultar o sexo com alguma coisa em particular; basta fazê-lo com a mão.”

Durante a evacuação

  • “No momento de urinar ou defecar, é preciso se agachar de modo a não ficar de frente nem dar as costas para Meca.”
  • “Durante a evacuação, a pessoa não deve se agachar de cara para o sol ou para a lua, a não ser que cubra o sexo.”
  • “Recomenda-se cobrir a cabeça durante a evacuação e apoiar o peso do corpo no pé esquerdo.”
  • “Deve-se igualmente evitar, durante a evacuação, comer, demorar e lavar o ânus com a mão direita.”
  • “Finalmente, deve-se evitar falar, a menos que se seja forçado, ou se eleve uma prece a Deus.”

Após a evacuação

  • “Em três casos, é absolutamente necessário purificar o ânus com água:
    - quando os excrementos foram evacuados com outras impurezas, como sangue;
    - quando o orifício anal ficou mais sujo do que de costume;
    - quando algo impuro tiver roçado no ânus.”
  • “Fora desses três casos, pode-se lavar o ânus com água, ou limpá-lo com um pano ou uma pedra.”
  • “Não é necessário limpar o ânus com três pedras ou três pedaços de pano; uma só pedra ou um só pedaço de pano basta.”
  • “Mas, se se o limpa com um osso ou com coisas sagradas como, por exemplo, um papel contendo o nome de Deus, não se pode fazer orações nesse estado.”

(Extraído do livro “As mais antigas normas de Direito”, de J.B. de Souza Lima. 2.ed., Forense, Rio de Janeiro, 1983)