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Página Legal

O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos com o marcador júri

Defesa concisa

07/02/2008 às 23h31min Paulo Gustavoadvogados

Uma jovem advogada, que acabara de receber a carteirinha da OAB, adentrou nervosamente o salão do Tribunal do Júri de São Paulo para a sua primeira defesa.

Concedida a palavra, a causídica se levantou, fez as saudações de praxe, falou por apenas alguns minutos e depois sentou em sua cadeira.

O juiz acompanhou tudo aquilo, aguardou alguns instantes, ficou aflito, insistiu:

– A defesa está com a palavra…

A jovem, toda importante com suas vestes talares, respondeu:

– Eu já terminei, estou satisfeita, não tenho mais o que falar…

O juiz não hesitou: suspendeu a sessão e declarou o réu indefeso.

A história é narrada por Vitorino Castelo Branco, no livro Curso de Português Jurídico, de Regina Toledo Damião e Antonio Henriques.

Legítima defesa da paciência

07/02/2008 às 8h24min Paulo Gustavoadvogados

Quintino Cunha (1875-1943), poeta e advogado criminalista, foi uma figura folclórica cearense.

Conta o site Ceará Moleque que a seguinte história, que se tornou célebre, é uma das várias que lhe aconteceram.

Certa feita, Quintino foi contratado para defender um bêbado acusado de assassinar um cidadão rico que sempre o insultava na rua.

No tribunal do júri, dirigiu-se ao Juiz da seguinte forma:

– Meritíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito. Meritíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito. Meritíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito. Meritíssimo Senhor Doutor Juiz…

A estas alturas, o juiz, já impaciente, interrompe:

– Um momento, doutor! O senhor vai fazer a sua sustentação oral ou não?

E então o advogado responde:

– Pois então, excelência… eu lhe chamei quatro vezes de um título que honrosamente lhe pertence e o senhor me interrompeu, visivelmente irritado… Imagine se eu passasse todos os dias em sua frente, durante vários anos, e lhe chamasse com os piores insultos… o senhor não me daria um tiro?

(Foto: caricatura feita por Plautus Cunha)

Um burro no tribunal

01/02/2008 às 17h39min Paulo Gustavoadvogados

Um conhecido advogado criminalista gaúcho, Togo Lima Barbosa, ex-procurador de justiça, ex-corregedor jurídico da Procuradoria Geral da República, ex-prefeito de sua terra, estava defendendo um cliente no tribunal do júri, no Fórum de Itaqui (RS).

O plenário estava lotado. Fazia calor e as janelas estavam abertas para a rua.

No momento mais empolgante de sua peroração, para surpresa geral, um burro (ou jegue) começou a zurrar numa carroça que passava por perto.

O jovem promotor, querendo ser espirituoso, para desviar a atenção do advogado, aparteou:

– Olha aí, doutor, estão aparteando Vossa Excelência!

O criminalista Togo, com a estampa de tribuno grego, devolveu na hora:

– Isso não me surpreende, pois não é o primeiro burro que me aparteia hoje!

(Colaboração de Marco Aurelio Degrazia Barbosa)