Testemunha de “folga”
10/02/2008 às 17h03min | Paulo Gustavo | crônicas e poesias
Por Sônia França, secretária de audiências da Justiça do Trabalho
A crônica a seguir é a junção de várias testemunhas que passaram pelas salas de conciliação da Justiça do Trabalho. Qualquer semelhança com fatos reais não é coincidência.
– Nome?
– Quem? Eu?
– É, o senhor. Nome?
– José.
– José de quê? Senta direito.
– José da Silva.
– Idade?
– Trinta e quatro.
– Endereço? Não acende esse cigarro, não. Endereço?
– Morro da Porca, entrada quinhentos, curva trinta e seis, casa quatorze, fundos.
– É parente, amigo pessoal ou inimigo de alguma das partes envolvidas no processo, freqüenta ou freqüentou a casa de algum deles, tem algum envolvimento emocional com alguém aqui à mesa?
– Repete, que eu já esqueci tudo.
