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O cotidiano jurídico com muito bom humor

Por Paulo Gustavo Sampaio Andrade, advogado.

Artigos com o marcador trabalho

Exame admissianal

04/10/2008 às 10h28min Paulo Gustavopartes

A Viação Macaense, maior empresa de ônibus de Macaé (RJ), costumava fazer uma exigência pouco convencional durante o processo de seleção para contratação de motoristas e cobradores.

Cu-rrículo? Que nada. A empresa obrigava os candidatos a realizar um exame de inspeção anal.

Como era de se esperar numa empresa de coletivos, o procedimento era realizado coletivamente.

Os candidatos baixavam a cueca e estacionavam de ré, lado a lado com outros candidatos à vaga, para que o doutor verificasse o escapamento.

Caso o médico, que não era especialista em proctologia, constatasse a existência de hemorróidas, traumas ou fissuras anais, o candidato não seria contratado.

Em agosto de 2007, a empresa foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região a pagar uma indenização de 40 salários mínimos a três ex-empregados. Há informações, contudo, sobre a existência de mais outros 150 processos semelhantes.

Uma empresa de ônibus preocupada com a saúde de todos.
Uma empresa de ônibus preocupada com a saúde de todos.

Depois de ler essa notícia, fiquei muito preocupado quando entrei no site da tal empresa e vi uma notícia sobre uma campanha de inclusão digital para seus motoristas.

Pena que a empresa não examinava também a caixa de câmbio dos empregados, pois poderia evitar reclamações trabalhistas relacionadas com fimose.

Os honorários do reclamante

06/02/2008 às 14h29min Paulo Gustavoadvogados

Um vigilante teve seu contrato de trabalho rescindido por justa causa.

O advogado contratado alegou, na reclamação, que “a justa causa foi injusta”. Por sua vez, a reclamada alegou que houve “justíssima causa”.

Em contestação repleta de adjetivos esculhambativos, a empresa repeliu o pedido de pagamento de honorários ao advogado do vigilante, nos seguintes termos:

“Honorários advocatícios: estes realmente impossíveis de serem pagos ao reclamante, pois a função dele era de vigilante e não de advogado, portanto recebia salários e não honorários”.

(Fonte: Revista Ordem Jurídica – OAB/ES)

O acidente do pedreiro português

01/02/2008 às 15h29min Paulo Gustavoperitos

A seguinte história circula há muitos anos, sendo a fonte atribuída ao Jornal do Brasil.

Trata-se do relato de um inacreditável acidente de trabalho, feito pelo próprio acidentado, um pedreiro lusitano à companhia seguradora, contante de documento supostamente incluído num processo judicial que foi julgado pelo Tribunal Judicial da Comarca de Cascais, em Portugal:

Exmos. Senhores,

Em resposta ao seu gentil pedido de informações adicionais, esclareço:

No quesito nº 3 da comunicação do sinistro mencionei: “tentando fazer o trabalho sozinho” como causa do meu acidente.

Em vossa carta V. Sas. me pedem uma explicação mais pormenorizada, pelo que espero sejam suficientes os seguintes detalhes:

Sou assentador de tijolos e no dia do acidente estava a trabalhar sozinho num telhado de um prédio de 6 (seis) andares.

Ao terminar meu trabalho, verifiquei que havia sobrado 250 kg de tijolos.

Em vez de os levar a mão para baixo (o que seria uma asneira), decidi, num acesso de inteligência, colocá-los dentro de um barril, e, com ajuda de uma roldana, a qual felizmente estava fixada em um dos lados do edifício (mais precisamente no sexto andar), descê-lo até o térreo.

Desci até o térreo, amarrei o barril com uma corda e subi para o sexto andar, de onde puxei o dito cujo para cima, colocando os tijolos no seu interior. Retornei em seguida para o térreo, desatei a corda e segurei-a com força para que os tijolos (250kg) descessem lentamente (denotar que no quesito 11 informei que meu peso oscila em torno de 80kg).

Surpreendentemente, senti-me violentamente alçado do chão e, perdendo minha característica presença de espírito, esqueci-me de largar a corda.

Acho desnecessário dizer que fui içado do chão a grande velocidade. Nas proximidades do terceiro andar dei de cara com o barril que vinha a descer.

Ficam, pois, explicadas as fraturas do crânio e das clavículas.

Continuei a subir a uma velocidade um pouco menor, somente parando quando os meus dedos ficaram entalados na roldana. Felizmente, nesse momento já recuperara a minha presença de espírito e consegui, apesar das fortes dores, agarrar a corda. Simultaneamente, no entanto, o barril com os tijolos caiu ao chão, partindo seu fundo.

Sem os tijolos, o barril pesava aproximadamente 25kg (novamente refiro-me ao meu peso indicado no quesito 11). Como podem imaginar comecei a cair vertiginosamente, agarrado à corda, sendo que, próximo ao terceiro andar, quem encontrei? Ora, pois, o barril quer vinha a subir. Ficam explicadas as fraturas dos tornozelos e as lacerações das pernas. Felizmente, com a redução da velocidade de minha descida, veio minimizar os meus sofrimentos quando caí em cima dos tijolos que estavam no chão, pois felizmente só fraturei três vértebras.

No entanto, lamento informar que ainda houve o agravamento do sinistro, pois quando me encontrava caído sobre os tijolos, incapacitado de me levantar, e vendo o barril acima de mim, perdi novamente minha decantada presença de espírito e larguei a corda. O barril, que pesava mais do que a corda, desceu e caiu em cima de mim, fraturando-me as pernas.

Espero ter fornecido as informações complementares que me haviam sido solicitadas. Outrossim, esclareço que este relatório foi escrito por minha enfermeira, pois os meus dedos, ainda guardam a forma da roldana.

Atenciosamente,

Antonio Manuel Joaquim Soares de Coimbra

Se algum leitor puder confirmar a autenticidade do caso, comente abaixo indicando mais detalhes que comprovem não se tratar de uma lenda.